Onça, aves raras e morcegos: espécies do Pantanal ganham destaque na COP15
Evento internacional reúne mais de 130 países em Campo Grande para discutir proteção de espécies migratórias, destacando a importância do Pantanal como corredor ecológico essencial para biodiversidade sul-americana.

Entre os dias 23 e 29 de março, Campo Grande recebe a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Selvagens (COP15). O encontro reúne representantes de mais de 130 países com o objetivo de discutir estratégias globais para a proteção de animais que percorrem longas distâncias e dependem de habitats preservados para sobreviver.
A escolha da capital sul-mato-grossense como sede está diretamente ligada à sua proximidade com o Pantanal, considerado a maior área úmida continental do planeta. O bioma é um dos principais corredores ecológicos da América do Sul, servindo como rota para diversas espécies migratórias que utilizam a região para alimentação, descanso e reprodução.
Entre as espécies em destaque na conferência estão animais que também ocorrem em Mato Grosso do Sul, como a onça-pintada, o morcego-de-cauda-livre-brasileiro e aves como o caboclinho-de-sobre-ferrugem, a tesoura-do-campo, o galito e a veste-amarela. Embora presentes no estado, essas espécies não são exclusivas da região e dependem de áreas preservadas em diferentes países.
Espécies emblemáticas e seus desafios
A onça-pintada é um dos principais símbolos do Pantanal e integra a lista de espécies protegidas pela convenção internacional. Considerada o maior felino das Am��ricas, ela realiza deslocamentos significativos em busca de território e alimento, o que caracteriza um comportamento migratório em escala regional.

No Pantanal, vivem algumas das maiores populações dessa espécie no mundo. Apesar disso, a expansão urbana e a presença de rodovias aumentam os riscos de conflitos e acidentes envolvendo esses animais, tornando ainda mais urgente a implementação de políticas de conservação.
Outro destaque é o morcego-de-cauda-livre-brasileiro, conhecido por sua impressionante capacidade de voo. Pesando cerca de 12 gramas, ele pode atingir velocidades de até 160 km/h, sendo considerado o animal mais veloz do mundo em voo horizontal. A espécie forma grandes colônias e percorre longas distâncias, desempenhando papel importante no controle de insetos.
A importância das aves migratórias
Entre as aves, espécies como o caboclinho-de-sobre-ferrugem, a tesoura-do-campo, o galito e a veste-amarela dependem diretamente de ambientes naturais preservados. Elas utilizam áreas alagadas e campos do Pantanal para completar seus ciclos de vida, o que reforça a necessidade de proteção desses habitats.
Além de sua relevância ecológica, essas espécies contribuem para o equilíbrio ambiental por meio da polinização, dispersão de sementes e controle de populações de insetos. Também desempenham papel importante na economia local, especialmente por meio do ecoturismo.
Cooperação internacional e preservação
A proteção dessas espécies depende de esforços coordenados entre diferentes países, já que os animais atravessam fronteiras ao longo de suas rotas migratórias. Nesse contexto, a COP15 surge como um espaço fundamental para a construção de acordos internacionais voltados à conservação da biodiversidade.
Segundo o presidente da conferência, João Paulo Capobianco, a escolha de Campo Grande também reflete o objetivo de mostrar ao mundo exemplos de planejamento urbano aliado à preservação ambiental. A cidade, segundo ele, representa um modelo de convivência possível entre desenvolvimento e natureza.
Mais do que isso, o evento busca chamar a atenção global para o Pantanal, bioma compartilhado por Brasil, Bolívia e Paraguai. Com biodiversidade rica e paisagens únicas, a região é estratégica para a sobrevivência de inúmeras espécies migratórias, reforçando a urgência de sua conservação.
Referências da notícia
G1. Onça, aves raras e morcegos: os animais do Pantanal que estão na COP15.2026