O que aconteceria se os espaços naturais se tornassem zonas proibidas para turistas?
Muitos países estão começando a restringir drasticamente o número de visitantes em lugares turísticos, mas os cientistas dizem que essa não é a solução correta.

"Proibida a entrada de turistas". Essa ideia provavelmente se tornará cada vez mais comum no futuro.
De fato, considerando o comportamento de muitos turistas em áreas naturais e selvagens, muitos acreditam que simplesmente proibir o acesso a esses locais seria uma boa ideia. Isso permitiria que a natureza se regenerasse e fosse preservada a longo prazo.
Diversos destinos já implementaram essa opção, como o arquipélago das Ilhas Phi Phi, na Tailândia, e o cânion Fjaðrárgljúfur, na Islândia.
Muitos países estão enfrentando dificuldades com o turismo massivo
Vítimas do próprio sucesso, muitos lugares viram seu meio ambiente se deteriorar devido à presença e à atividade humana.
E a Tailândia e a Islândia estão longe de ser casos isolados. O Butão só pode ser acessado com um visto excepcionalmente caro. A Itália proibiu a entrada de navios de cruzeiro em Veneza. O Peru agora limita rigorosamente o acesso a Machu Picchu.
A crise sanitária claramente teve seu efeito. Vimos, em vários lugares, como a natureza está ressurgindo das cinzas.
Conclusão: Muitos países precisam aprender com a era pós-COVID
No entanto, embora o público em geral apoie essas medidas, os cientistas parecem ter uma opinião diferente. É o caso de Jeremy Sampson, da Travel Foundation. "Eu me oponho à ideia de simplesmente proibir o turismo em áreas vulneráveis [...] O fato é que alguns tipos de turismo contribuem para a proteção dos recursos naturais e a conservação do patrimônio", disse ele. Aliás, ele afirma que uma proibição total poderia até ser contraproducente.
Para o estrategista de turismo Greg Klassen, a ideia principal é conscientizar os turistas antes mesmo de chegarem ao destino. Essa solução já está sendo implementada em diversos lugares, como Nova Zelândia, Havaí e Islândia. Nessas ilhas, todos que desejam se hospedar no território precisam assinar um termo de compromisso. Proteger a natureza e respeitar a cultura são obrigatórios. Para Greg Klassen, isso não é um detalhe insignificante. Medidas como essa podem realmente fazer a diferença.

“Mesmo em países onde o código permanece voluntário, ele promove a conscientização e o envolvimento dos viajantes; qualquer mudança, por menor que seja, no comportamento do viajante pode ser útil”, afirma ele.
E o respeito pelo meio ambiente anda de mãos dadas com o respeito pela cultura local. A antropóloga Elizabeth Kapu’uwailani Lindsey enfatiza a importância de os turistas entenderem que um não pode existir sem o outro e que é impossível preservar um sem preservar o outro.
"Se você sobrepor um mapa-múndi de áreas críticas ambientalmente com um mapa de regiões onde a cultura está ameaçada, onde os povos indígenas, suas línguas e suas tradições lutam para sobreviver, verá que são quase idênticos", explica ela. É crucial preservar nosso planeta, assim como as pessoas que o habitam.