Nova planta é descoberta na Mata Atlântica em SP e surpreende pesquisadores da USP
Uma nova espécie de planta foi encontrada em uma área remanescente de Mata Atlântica no Litoral Norte de São Paulo, e isso só mostra como mesmo em regiões muito estudadas ainda há espécies desconhecidas pela ciência.

Uma nova espécie de planta foi encontrada no Litoral Norte do estado de São Paulo, em uma área remanescente da Mata Atlântica, por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP).
A descoberta foi divulgada em um artigo na revista científica Phytotaxa e impressionou os pesquisadores, pois mostra que pode haver ainda muitas plantas desconhecidas para a ciência na Mata Atlântica. Saiba mais detalhes abaixo.
O que se sabe até agora sobre a nova espécie
A planta foi encontrada inicialmente no município de Ubatuba e, depois, em Caraguatatuba. A história remonta a 2013, quando pesquisadores a encontraram no Parque Estadual da Serra do Mar, no Núcleo Picinguaba, em Ubatuba. E na ocasião, eles acreditavam que a planta pudesse ocorrer apenas neste lugar.
Mas quase uma década depois, em 2023, uma segunda população desta planta foi encontrada em Caraguatatuba. Então, novos exemplares foram coletados e encaminhados para análise, quando aí então os pesquisadores tiveram certeza de que se tratava de uma nova espécie.

A planta tem pouco mais de um metro e flores brancas, e pertence à família Rutaceae, a mesma das laranjas e dos limões. Ela foi batizada de Conchocarpus piranii, em homenagem ao professor José Rubens Pirani, botânico e docente do Instituto de Biociências da USP, pela sua trajetória científica e pela contribuição para a formação de pesquisadores e o avanço da botânica brasileira.
Esta descoberta, ao mesmo tempo em que amplia o conhecimento sobre a biodiversidade da Mata Atlântica, também surpreende os pesquisadores, pois é uma evidência de que mesmo em uma região muito estudada ainda há espécies desconhecidas pela ciência.
Os pesquisadores afirmam que os remanescentes da Mata Atlântica ainda podem abrigar uma enorme diversidade de espécies, muitas delas endêmicas e algumas ainda desconhecidas pela ciência.
Para a análise da planta, os pesquisadores fizeram análises de DNA para investigar as relações evolutivas entre as espécies do gênero, coletando informações sobre anatomia foliar e floral, grãos de pólen e a distribuição geográfica desta nova espécie.
Entre as características identificadas da planta, está a estrutura do ovário da flor, que não apresenta a depressão central encontrada nas espécies mais próximas, e a posição terminal do estilete.
Os pesquisadores ainda destacam a importância de conservar e proteger este bioma, visto que uma nova espécie descoberta pode ter distribuição restrita e depender de condições ambientais específicas para sobreviver; e quando seu hábitat é destruído ou alterado, tal espécie pode desaparecer antes mesmo que a ciência consiga entender seu papel no ecossistema, ou até mesmo antes de encontrá-la na natureza.
Referência da notícia
Groppo, M. et al. (2026). Conchocarpus piranii (Galipeinae, Rutaceae), a new species from Eastern Brazil, with notes on its palynology, foliar and flower anatomy, and phylogenetic position.
Stella, R. (2026). Nova espécie de planta é descoberta em área remanescente de Mata Atlântica.