Emergência climática: jogo criado pela USP leva debate para as salas de aula
Professor de renomada Faculdade da USP desenvolve jogo de cartas para ensinar sobre a crise climática nas escolas.

A crise climática já não é uma ameaça distante. Enquanto acordos globais para conter o aquecimento do planeta vêm perdendo força e o abandono dos combustíveis fósseis avança lentamente, eventos extremos como ondas de calor, secas, enchentes e tempestades afetam milhões de pessoas todos os anos em diferentes regiões do mundo.
Diante desse cenário, torna-se cada vez mais urgente que a população compreenda os riscos associados às mudanças climáticas e participe ativamente da cobrança por respostas efetivas das autoridades.
Para que o tema deixe de ser restrito ao debate técnico e científico, a educação ambiental precisa começar pela base, e é nesse contexto que um jogo criado na Universidade de São Paulo propõe levar a discussão sobre crise climática e sustentabilidade para o ambiente escolar de forma acessível e participativa.
Conheça o jogo
O jogo de cartas "Emergência Climática" foi desenvolvido pelo professor Dr. Alex Virgilio, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP).
A proposta do jogo é simples e direta: estimular os participantes a cooperarem na implementação de ações sustentáveis capazes de mitigar (reduzir) os impactos das mudanças climáticas, em partidas rápidas e dinâmicas.
Como jogar?
Voltado a jogadores a partir dos 12 anos, o Emergência Climática pode ser jogado individualmente ou em grupos de até cinco pessoas. Cada partida dura apenas dez minutos, tempo cronometrado que reforça a sensação de urgência diante da crise climática.
Durante o jogo, os participantes retiram dados coloridos de uma sacola e precisam decidir coletivamente como alocá-los em cartas que representam ações sustentáveis ou desafios ambientais.

As cartas exigem combinações específicas de cores, números ou disposição espacial dos dados. Para avançar, os jogadores precisam dialogar, negociar e planejar em conjunto, já que o sucesso depende do desempenho coletivo.
Ao completar as cartas, o grupo acumula pontos e, ao final da partida, avalia o nível de sustentabilidade alcançado com base em um ranking definido no manual do jogo.
A importância da iniciativa
O jogo tem forte potencial como ferramenta de educação ambiental. No momento, a principal limitação está no alcance: sem fins comerciais e com produção inicial reduzida, o Emergência Climática ainda não faz parte da realidade escolar. O professor ressalta ao Jornal da USP que a proposta segue em fase inicial:
Iniciativas como essa demonstram que é possível inovar na forma de ensinar e discutir sustentabilidade, mas também evidenciam que, para alcançar escala, continuidade e equidade, é fundamental que esse tipo de proposta seja incorporado a políticas públicas de educação, capazes de garantir acesso amplo e igualitário em diferentes realidades escolares.

Transformar jogos educativos em instrumentos permanentes da educação básica pode ser um passo decisivo para formar cidadãos mais informados, críticos e preparados para enfrentar os desafios climáticos do presente e do futuro.
Referências da notícia
Jogo criado na USP usa cartas e cooperação para ensinar sustentabilidade e urgência climática, publicado por Jornal da USP em 29/01/2026.
Posicionamento da USP e Esalq em rankings 2024, publicado por Associação dos Ex-Alunos da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", em 2024.