Agosto de 2026 foi o mês mais quente já registrado no planeta
Com temperatura média global de 16,96°C, agosto de 2026 entrou para a história como o mês mais quente já registrado na base de dados ERA5 do Copernicus.

Agosto de 2026 foi o mês mais quente já registrado globalmente na base de dados ERA5, segundo o mais recente Boletim Climático do Copernicus divulgado nesta quinta-feira (10). A temperatura média global atingiu 16,96°C, valor considerado tecnicamente empatado com julho de 2023, que até então ocupava sozinho o topo do ranking histórico.
O novo recorde reforça os alertas feitos pela Meteored sobre a influência do intenso El Niño em desenvolvimento, que deve continuar favorecendo novos recordes globais nos próximos meses. Confira os detalhes
Recorde duplo: temperatura absoluta e anomalia
Agosto de 2026 bateu recordes sob duas perspectivas diferentes, se destacando por combinar uma anomalia extremamente elevada com a maior temperatura média global já observada.
Em termos de temperatura média global absoluta, o mês atingiu 16,96°C e empatou com julho de 2023 (16,95°C) como o valor mais elevado já registrado na série ERA5 do Copernicus, desde 1940.
Além disso, foi o primeiro mês desde novembro de 2025 a ultrapassar o limiar de 1,5°C.

Quando olhamos para a distribuição das anomalias globais (mapa no início do texto), observamos um planeta quase totalmente aquecido. As maiores anomalias positivas de temperatura foram registradas na Antártica Ocidental, em partes da Ásia Central, do leste da África e da Sibéria Ocidental, regiões que apresentaram aquecimento muito acima da média climatológica para agosto.
Em contraste, temperaturas abaixo da média foram observadas no sul da América do Sul, em partes da África Austral e do leste da Rússia, além de áreas próximas ao Mar de Weddell, na Antártica.
A escalada das temperaturas em 2026
Mês após mês, 2026 vem acumulando posições entre os meses mais quentes da história dos registros. Entre janeiro e agosto, todos os meses figuraram entre os cinco mais quentes já observados para suas respectivas épocas do ano.

A aceleração tornou-se mais evidente durante o segundo semestre, saindo de 5° janeiro mais quente para 1° agosto mais quente. Essa escalada das temperaturas também está relacionada ao aquecimento dos oceanos, que bateram recorde em agosto, e à intensificação do El Niño.
Recorde absoluto de calor nos oceanos
Os recordes observados na atmosfera estão intimamente ligados ao aquecimento dos oceanos, principal reservatório de calor do sistema climático terrestre. À medida que os oceanos acumulam energia, parte desse calor é transferida para a atmosfera, contribuindo para a elevação das temperaturas globais.
Em agosto de 2026, a temperatura média da superfície dos oceanos extratropicais (entre 60°S e 60°N) atingiu 21.07°C. Este não é apenas o maior valor já registrado para um mês de agosto como também o maior valor mensal já registrado na série histórica (desde 1979) do ERA5, superando o recorde anterior de 20,89°C estabelecido em julho de 2023.

Desde 19 de junho, as temperaturas diárias dos oceanos vêm registrando máximos históricos para cada dia do ano.

Segundo o Copernicus, o aquecimento excepcional foi impulsionado pelo rápido desenvolvimento do El Niño no Pacífico Equatorial, mas também por temperaturas recordes observadas em diversas outras bacias oceânicas. Áreas extensas do Pacífico, Atlântico Norte, oceano Austral e mares europeus registraram ondas de calor marinhas fortes a severas, com diversos setores apresentando temperaturas recordes para a época do ano.
Alerta: novos recordes estão a caminho
O El Niño, atualmente classificado como forte, deve continuar se intensificando nos próximos meses e atingir seu pico entre a primavera e o início do verão do Hemisfério Sul. As previsões mais recentes indicam um evento excepcional, com anomalias próximas de 3,5°C na região Niño 3.4, onde o fenômeno é monitorado.
Por isso, os recordes observados em agosto de 2026 podem ser apenas o início de uma nova escalada. Especula-se que 2027 poderá superar 2024 e se tornar o ano mais quente da história dos registros, somando efeitos de um Super El Niño histórico com a escalada do aquecimento global.