Massas de ar frio continuam atingindo vários estados em setembro, mesmo com forte El Niño

Apesar da influência do El Niño, que pode persistir e se intensificar até meados de 2027, as próximas semanas ainda serão marcadas por temperaturas abaixo da média em grande parte do centro-sul do país. Isso ocorre, em parte, devido à outro fenômeno: A Oscilação Antártica em fase negativa.

Previsão de anomalias de temperatura em 850 hPa no domingo de tarde mostra uma forte massa de ar frio avançando pelo Brasil ao longo do final de semana, trazendo frio intenso.
Previsão de anomalias de temperatura em 850 hPa no domingo de tarde mostra uma forte massa de ar frio avançando pelo Brasil ao longo do final de semana, trazendo frio intenso.

O El Niño já está estabelecido e pode se intensificar para uma categoria muito forte nos próximos meses. Os principais centros globais de previsão indicam uma probabilidade próxima de 100% de que o fenômeno persista até fevereiro de 2027, enquanto o Oceano Pacífico tropical continua se aquecendo e mostrando temperaturas muito acima da média.

Um El Niño muito forte pode provocar mudanças importantes nos padrões de temperatura e chuva em escala global. Um dos seus impactos mais bem documentados sobre o Brasil é a formação de temperaturas mais quentes do que o normal em boa parte do Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país.

Apesar disso, o El Niño não é o único fenômeno climático que atua sobre o planeta. Diversas outras oscilações climáticas atuam em um conjunto complexo que pode gerar diferentes resultados climáticos ao redor do Brasil.

Clima se mantém frio no centro-sul do Brasil

Como é possível observar nas projeções climáticas numéricas do modelo ECMWF, presentes na figura abaixo, as próximas semanas serão marcadas por temperaturas abaixo da média em grande parte do centro-sul do Brasil, como já está acontecendo ao longo desta semana.

Previsão de anomalias de temperatura entre os dias 14 e 21 (esquerda) e 21 e 28 de Setembro (direita) indicam que as próximas semanas serão marcadas por um frio expressivo.
Previsão de anomalias de temperatura entre os dias 14 e 21 (esquerda) e 21 e 28 de Setembro (direita) indicam que as próximas semanas serão marcadas por um frio expressivo.

Isso é resultado de outros fenômenos que estão atuando sobre o clima brasileiro. Entre eles, vale mencionar a Oscilação de Madden-Julian (que está em estado neutro e não promove chuvas sobre a região equatorial do Brasil) e em especial a Oscilação Antártica, que segue em fase negativa.

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A Oscilação Antártica (OA) em fase negativa tende a favorecer o deslocamento de massas de ar frio e a formação de sistemas meteorológicos transientes na região Sul e parte das regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.

Previsão da Oscilação de Madden Julian (OMJ) e da evolução da Oscilação Antártica (OA) ao longo das próximas semanas indica uma OMJ neutra e uma OA em fase negativa.
Previsão da Oscilação de Madden Julian (OMJ) e da evolução da Oscilação Antártica (OA) ao longo das próximas semanas indica uma OMJ neutra e uma OA em fase negativa.

Em outras palavras, a OA em fase negativa está associada ao desprendimento de massas de ar polar da região Antártica, que acabam avançando pelo Brasil com maior frequência, ocasionando episódios de frio muito intenso sobre o país.

Esse padrão da OA tem auxiliado na formação de um clima contrário ao esperado durante El Niños, mesmo que o fenômeno esteja atingindo intensidades muito fortes.

No entanto, vale notar que as previsões indicam que a OA vai enfraquecer ao longo da segunda quinzena de Setembro. Se esse enfraquecimento se consolidar, frentes frias se formarão com intensidade e frequência muito menores, o que fará com que esse padrão climático se inverta e temperaturas muito altas voltem a ser registradas sobre o Brasil.

Previsão de evolução do El Niño ao longo dos próximos meses mostra uma intensificação que pode atingir valores históricos, muito altos, com pico no final de 2026. (Imagem: CCSR / IRI)
Previsão de evolução do El Niño ao longo dos próximos meses mostra uma intensificação que pode atingir valores históricos, muito altos, com pico no final de 2026. (Imagem: CCSR / IRI)

Vale notar que este episódio não significa que o El Niño não trará efeitos significativos para o Brasil. Antes dessas massas de ar frio que estão atuando agora, os meses de Julho e de Agosto já foram marcados por temperaturas acima da média no país e calor mais intenso do que o normal.

Conforme o El Niño se intensifica, seus efeitos se tornarão cada vez mais evidentes, e devem se tornar muito expressivos ao longo do verão, que se inicia em Dezembro de 2026. Chuvas intensas e ondas de calor expressivas são esperadas para em todo centro-sul do país ao longo da estação.

Por isso, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) destaca a necessidade de preparação, por parte de governos e grandes lideranças, para possíveis impactos sobre agricultura, energia, saúde, recursos hídricos e gestão de emergências.