Massas de ar frio continuam atingindo vários estados em setembro, mesmo com forte El Niño
Apesar da influência do El Niño, que pode persistir e se intensificar até meados de 2027, as próximas semanas ainda serão marcadas por temperaturas abaixo da média em grande parte do centro-sul do país. Isso ocorre, em parte, devido à outro fenômeno: A Oscilação Antártica em fase negativa.

O El Niño já está estabelecido e pode se intensificar para uma categoria muito forte nos próximos meses. Os principais centros globais de previsão indicam uma probabilidade próxima de 100% de que o fenômeno persista até fevereiro de 2027, enquanto o Oceano Pacífico tropical continua se aquecendo e mostrando temperaturas muito acima da média.
Apesar disso, o El Niño não é o único fenômeno climático que atua sobre o planeta. Diversas outras oscilações climáticas atuam em um conjunto complexo que pode gerar diferentes resultados climáticos ao redor do Brasil.
Clima se mantém frio no centro-sul do Brasil
Como é possível observar nas projeções climáticas numéricas do modelo ECMWF, presentes na figura abaixo, as próximas semanas serão marcadas por temperaturas abaixo da média em grande parte do centro-sul do Brasil, como já está acontecendo ao longo desta semana.

Isso é resultado de outros fenômenos que estão atuando sobre o clima brasileiro. Entre eles, vale mencionar a Oscilação de Madden-Julian (que está em estado neutro e não promove chuvas sobre a região equatorial do Brasil) e em especial a Oscilação Antártica, que segue em fase negativa.
A Oscilação Antártica (OA) em fase negativa tende a favorecer o deslocamento de massas de ar frio e a formação de sistemas meteorológicos transientes na região Sul e parte das regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.

Em outras palavras, a OA em fase negativa está associada ao desprendimento de massas de ar polar da região Antártica, que acabam avançando pelo Brasil com maior frequência, ocasionando episódios de frio muito intenso sobre o país.
No entanto, vale notar que as previsões indicam que a OA vai enfraquecer ao longo da segunda quinzena de Setembro. Se esse enfraquecimento se consolidar, frentes frias se formarão com intensidade e frequência muito menores, o que fará com que esse padrão climático se inverta e temperaturas muito altas voltem a ser registradas sobre o Brasil.

Vale notar que este episódio não significa que o El Niño não trará efeitos significativos para o Brasil. Antes dessas massas de ar frio que estão atuando agora, os meses de Julho e de Agosto já foram marcados por temperaturas acima da média no país e calor mais intenso do que o normal.
Conforme o El Niño se intensifica, seus efeitos se tornarão cada vez mais evidentes, e devem se tornar muito expressivos ao longo do verão, que se inicia em Dezembro de 2026. Chuvas intensas e ondas de calor expressivas são esperadas para em todo centro-sul do país ao longo da estação.
Por isso, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) destaca a necessidade de preparação, por parte de governos e grandes lideranças, para possíveis impactos sobre agricultura, energia, saúde, recursos hídricos e gestão de emergências.