Chuvas vão se espalhar pelo Brasil em pleno período seco e sob El Niño forte
Setembro deve iniciar com chuvas acima da média no Centro-Sul do Brasil, englobando áreas que ainda vivem seu período seco nesta época.

A primeira semana de setembro será de chuvas acima da média no Centro-Sul do Brasil, devido à passagem mais frequente de frentes frias, cenário impulsionado pelo El Niño. A primeira delas deixa alerta de tempestades intensas e chuvas extremas sobre a região Sul na reta final de agosto e, posteriormente, avança sobre o Sudeste e Centro-Oeste.
Um segundo sistema está previsto para ter início na quinta-feira (3), contribuindo para as chuvas acima da média previstas até o dia 7 de setembro. Confira os detalhes.
Setembro inicia com chuvas acima da média
A previsão de anomalia semanal de precipitação do modelo ECMWF, de confiança da Meteored, indica que a semana entre 31 de agosto e 7 de setembro, será de chuva acima da média em grande parte do Brasil. Os maiores desvios positivos devem ocorrer na metade oeste de Santa Catarina e do Paraná, onde os acumulados podem ficar entre 60 e 90 mm acima da climatologia.
Já anomalias entre 30 e 60 mm são previstas em uma área mais ampla, que se estende do norte do Rio Grande do Sul até Santa Catarina e Paraná, alcançando ainda grande parte de Mato Grosso do Sul, o sul de Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e o sul de Minas Gerais.

Esse padrão sugere o retorno de precipitações mais frequentes e volumosas sobre parte do Centro-Sul do país no início de setembro, relacionado à passagem de sistemas frontais (frentes frias). O escoamento da atmosfera relacionado às frentes frias irá organizar a precipitação sobre grande parte do continente.

O processo de formação do ciclone associado com o primeiro sistema frontal terá início nesta quinta-feira (27), deixando alerta de tempestades no Sul, que se mantêm até segunda-feira (31). A partir de então a frente fria começa a avançar sobre o Centro-Oeste e Sudeste. Uma semana depois, na quinta-feira (3), um novo sistema frontal começa a se formar, afetando o novamente o Centro-Sul do país até, pelo menos, o dia 7 de setembro.
O papel do El Niño
O El Niño já alcançou patamar de categoria ‘forte’, acima de +1,5°C de anomalia da temperatura da superfície do mar (TSM) desde meados julho, segundo as anomalias relativas (metodologia oficial da NOAA) e desde junho segundo as anomalias absolutas (que consideram o aquecimento de fundo dos oceanos, metodologia antiga). Embora anomalias semanais não definam a intensidade oficialmente, as anomalias já são recordes para a época.

Como o fenômeno se estabeleceu mais cedo que o que normalmente acontece, as primeiras respostas atmosféricas ao aquecimento do Oceano Pacífico equatorial começaram a ocorrer na segunda quinzena de julho na América do Sul, com chuvas extremas no Chile e no Sul do Brasil.
El Niños ocean-atmosphere coupling is locked in, with a huge and persistent wave of rising air over the Pacific.
Ben Noll (@BenNollWeather) August 20, 2026
This generates a spider web-like response across the atmosphere that tugs at weather patterns worldwide, even in places thousands of miles away ️ pic.twitter.com/UP6soO5m6J
O mapa acima mostra em azul a área de influência do fenômeno, relacionada com movimento ascendente do ar (favorável à convecção). Nesta visualização é possível observar que há previsão da área do El Niño favorável à convecção avançar sobre o Centro-Sul do Brasil na primeira quinzena de setembro. Então, embora as chuvas previstas estejam relacionadas com uma frente fria, o El Niño é o ‘pano de fundo’ deste cenário.