Você consegue sentir o cheiro da chuva antes dela cair? Eis a ciência por trás disso

Esse fenômeno pode frequentemente preceder a chegada de uma pancada de chuva ou de uma tempestade mais intensa, particularmente quando as primeiras gotas caem sobre um solo ressecado.

Por razões puramente físicas, o petricor pode ser detectado antes da chegada da chuva. Quando o ar começa a ficar saturado de água, a tensão superficial tende a diminuir, estimulando a liberação de compostos voláteis.
Por razões puramente físicas, o petricor pode ser detectado antes da chegada da chuva. Quando o ar começa a ficar saturado de água, a tensão superficial tende a diminuir, estimulando a liberação de compostos voláteis.

Petricor é o nome que se dá ao cheiro liberado pelo solo quando chove após um longo período de seca. Esse aroma, que percebemos assim que caem as primeiras gotas de chuva, provém de uma mistura de compostos voláteis retidos no solo e liberados pela água.

Quando a primeira gota de chuva atinge um solo poroso, o impacto comprime o ar retido nos poros e forma minúsculas bolhas. Essas bolhas sobem à superfície e estouram, lançando no ar aerossóis que contêm geosmina e óleos vegetais.

O fenômeno foi filmado em câmera lenta por pesquisadores do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) em 2015. Cada gota de chuva gera centenas de aerossóis que se elevam até 10 cm no ar, o suficiente para chegar ao nosso nariz.

Os principais responsáveis por trás deste cheiro

Na origem do petricor está a geosmina, produzida por bactérias filamentosas do gênero Streptomyces (actinomicetos). Esses microrganismos vivem no solo e, ao morrerem ou se desidratarem, liberam geosmina, uma molécula de álcool com um odor "terroso" que remete ao solo molhado.

Além da geosmina, há também óleos vegetais. De fato, durante períodos de seca, plantas e arbustos secretam óleos cerosos para se protegerem da desidratação. Esses óleos se acumulam nas rochas e no solo.

Por fim, antes da chuva, raios ou correntes descendentes rompem as moléculas de oxigênio (O₂), separando-as em átomos livres que se recombinam para formar ozônio. O ozônio tem um cheiro metálico e "elétrico", semelhante ao de uma fotocopiadora.

O petricor pode ser detectado antes da chegada da chuva?

Por razões puramente físicas, o petricor pode ser detectado antes da chegada da chuva. À medida que o ar começa a ficar saturado de umidade, a tensão superficial tende a diminuir, favorecendo a liberação de compostos voláteis.

Além disso, correntes descendentes ao redor de nuvens carregadas de chuva tendem a empurrar o ar úmido para baixo, transportando consigo o ozônio e os primeiros aerossóis elevados por gotas de chuva distantes.

Na origem do petricor está a geosmina, produzida por bactérias filamentosas do gênero Streptomyces (actinomicetos). Esses microrganismos vivem no solo e, ao morrerem ou se desidratarem, liberam geosmina, uma molécula de álcool com um odor "terroso" que remete ao solo molhado.
Na origem do petricor está a geosmina, produzida por bactérias filamentosas do gênero Streptomyces (actinomicetos). Esses microrganismos vivem no solo e, ao morrerem ou se desidratarem, liberam geosmina, uma molécula de álcool com um odor "terroso" que remete ao solo molhado.

Isso significa que, de 10 a 30 minutos antes da chuva, o nariz humano consegue detectar esses sinais precursores. É um sinal que nossos ancestrais caçadores-coletores utilizavam para antecipar a chegada de tempestades e encontrar abrigo seguro.

O petricor é mais perceptível em certas áreas?

Sim, existem áreas onde é mais fácil sentir o cheiro de petricor do que em outras. As áreas mais propícias são aquelas caracterizadas por solos ricos em argila, que contêm grandes quantidades de actinomicetos — abrangendo desde zonas rurais e florestas até o asfalto das cidades.

Após longos períodos de seca, quando gotas de chuva quentes umedecem o solo — como ocorre durante uma tempestade de verão —, o petricor pode ser detectado a quilômetros de distância.

Camelos do deserto conseguem detectar o petricor a quilômetros de distância para encontrar água. Na Austrália, os povos aborígenes chamam esse cheiro de maban, associando-o a mitos de criação.

Da próxima vez que sentir esse aroma inconfundível, lembre-se de que você está inalando uma mensagem química que levou milhões de anos para se formar. Afinal, nossa querida Terra respira, regenera-se e nos avisa gentilmente que os céus estão prestes a se abrir.