Descoberta paleontológica em Piracicaba: Pedreira do Bongue tem condições de virar um parque geológico

A Pedreira do Bongue é um local que abriga rochas sedimentares datadas de 260 milhões de anos atrás que preservam fósseis de peixes e conchas, e tem condições para se tornar um parque geológico.

Vista aérea da pedreira do Bongue, em Piracicaba (SP). Crédito: Guilherme Valdanha/Prefeitura de Piracicaba.
Vista aérea da pedreira do Bongue, em Piracicaba (SP). Crédito: Guilherme Valdanha/Prefeitura de Piracicaba.

A Pedreira do Bongue, na região do Jupiá, em Piracicaba (São Paulo) é um sítio geológico em que há constantes interdições na área devido ao risco de deslizamentos de rochas. Diversos incidentes de queda de rochas já ocorreram.

E segundo um pesquisador, o local é também um sítio paleontológico com fósseis de quando Piracicaba era mar. Saiba mais abaixo.

Um parque geológico

De acordo com o pesquisador e professor Alessandro Batezelli, do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Pedreira é um sítio paleontológico conhecido no meio acadêmico, abrigando uma vasta coleção de fósseis de peixes e conchas, testemunhos de uma era em que um mar cobria a área. Contudo, ela não é protegida por leis.

“No ponto de vista acadêmico e científico, é um local já é conhecido como um sítio paleontológico. É que a gente, no Brasil, ainda está engatinhando no tombamento desses afloramentos”, disse o pesquisador em entrevista ao site G1.

Afloramentos são exposições visíveis de rocha ou leito rochoso na superfície da Terra, causada por processos naturais ou por atividades humanas.

A Pedreira do Bongue faz parte da unidade geológica Corumbataí e é composta por dois tipos de materiais: argilito (argila vermelha/roxa) e arenito (areia). A distinção dos materiais é visível a olho nu.

O professor explicou ainda que a pedreira é composta por rochas sedimentares geradas há cerca de 260 milhões de anos, podendo variar entre 3 e 5 milhões de anos para mais ou menos, quando a região de Piracicaba era um mar.

Parte da Pedreira do Bongue, em Piracicaba (SP), em que faixas mais escuras são argilito e faixas claras são arenito. Crédito: Yasmin Moscoski/G1.
Parte da Pedreira do Bongue, em Piracicaba (SP), em que faixas mais escuras são argilito e faixas claras são arenito. Crédito: Yasmin Moscoski/G1.

“Tinha um mar aqui. Aquela época foi a última vez que o mar entrou no nosso continente. Foi depositando as argilas, que representariam essas regiões mais profundas do mar, e as areias, que seriam situações mais costeiras. Formaram essas camadas e, com o aumento de pressão ao longo do tempo, elas viraram rochas”, disse o professor.

E a pedreira teria condições para ser transformada em um geoparque. Conforme Batezelli, o ideal seria que o local fosse protegido e transformado em um parque geológico, área destinada à preservação e divulgação dos patrimônios naturais e histórico-culturais.

A Pedreira do Bongue, em Piracicaba (SP), e a Avenida Jaime Pereira ao lado juntamente com o Rio Piracicaba. Crédito: Prefeitura de Piracicaba.
A Pedreira do Bongue, em Piracicaba (SP), e a Avenida Jaime Pereira ao lado juntamente com o Rio Piracicaba. Crédito: Prefeitura de Piracicaba.

Ele citou como exemplos o Geoparque de Uberaba (em Minas Gerais) e o Parque Geológico do Varvito, em Itu (São Paulo), que exibem formações rochosas de varvito.

“O geoparque cuida da parte da geologia e paleontologia, mas envolve também, por exemplo, toda a parte socioeconômica da região com o turismo”, comentou ele.

Fissuras na pedreira

O local é conhecido pelo histórico de fissuras e queda de rochas. Inclusive, a Avenida Jaime Pereira, também conhecida como Estrada do Bongue, já teve trechos parcialmente interditados por causa de deslizamentos.

Contudo, a Prefeitura do município afirmou em entrevista ao site G1 que tem monitorado a pedreira e que a estabilidade do local não apresentou alterações em relação ao último laudo técnico, realizado em abril de 2024. A administração afirmou ainda que um geólogo será contratado para elaborar novo laudo no início de 2026.

E por que ocorrem fissuras e queda de rochas da pedreira? O professor Batezelli explica: o argilito, ao entrar em contato com a água da chuva, tende a inchar, pois absorve a umidade e se expande. Quando o tempo fica muito seco, porém, ele se contrai. Esse processo de expansão e contração se repete ao longo dos meses, fazendo com que o material se desintegre.

Além disso, o movimento vibratório da passagem de veículos na avenida aos pés da pedreira e a trepidação causada por grandes construções nas proximidades, também influenciam o risco de queda de rochas.

Referências da notícia

Pedreira do Bongue é sítio paleontológico com fósseis de quando Piracicaba era mar, diz pesquisador. 15 de novembro, 2025. Yasmin Moscoski.

Pedreira do Bongue: Piracicaba diz que há estabilidade em fissura e programa novo laudo para 2026. 08 de novembro, 2025. Yasmin Moscoski.