A melhor fotografia do Sol revela novos segredos

O maior telescópio solar do mundo capturou a melhor imagem do Sol. A humanidade inicia uma nova era da ciência solar e “dá um salto” em direção à compreensão de nossa estrela e seus impactos na Terra.

Esta é a imagem com mais detalhes sobre o Sol até agora. (NSO / NSF / AURA).
Esta é a imagem com mais detalhes sobre o Sol até agora. (NSO / NSF / AURA).

O telescópio solar Daniel K. Inouye, que fica em Maui (no Havaí), é o maior do mundo e foi construído para revelar os mistérios do Sol. Nesta semana, foram divulgadas as primeiras imagens e vídeos que mostram um “close” incomum de nossa estrela. A superfície do Sol está longe de ser plana, mas consiste em um fluxo turbulento de plasma “em ebulição” que está em constante movimento.

Em alta resolução, a foto da superfície solar mostra um padrão semelhante a um favo de mel, composto por um número incontável de núcleos ou células plasmáticas. Estas células possuem tamanhos duas vezes maiores que toda a extensão da província de Buenos Aires e se movem por toda a superfície do Sol. Os centros brilhantes das células indicam onde o plasma quente sobe, o qual posteriormente esfria e “afunda” nos contornos escuros da imagem.

O telescópio solar não vai apenas tirar fotos. Ele também tem o objetivo de registrar os campos magnéticos dentro da coroa do Sol, onde se originam as erupções solares, as quais podem afetar a vida na Terra. Este telescópio melhorará a compreensão da física existente “por trás” do clima espacial e, em última análise, espera-se que ele ajude a prever tempestades solares com mais precisão.

As erupções magnéticas do Sol são capazes de afetar o transporte aéreo, interromper as comunicações por satélite e derrubar redes elétricas, causando longos blecautes e inviabilizando o uso de GPS e internet.

O gigante da missão

O novo telescópio solar Daniel K. Inouye (DKIST) é o maior que existe até agora: possui um espelho de 4 metros, obtém imagens com resolução 5 vezes melhor que o telescópio secundário existente e pode capturar objetos a 30 km acima da superfície solar. Este telescópio foi construído pela National Science Foundation, sobre o topo de um antigo vulcão com crateras (chamado de Haleakala, que significa “casa do sol” em havaiano), local sagrado para os habitantes da ilha.

O maior telescópio do mundo está no Havaí e é usado para estudar tempestades solares (NSO / NSF / AURA).
O maior telescópio do mundo está no Havaí e é usado para estudar tempestades solares (NSO / NSF / AURA).

Estes detalhes são quase tão extraordinários quanto o sistema de refrigeração em torno do telescópio. Tirar uma foto tão detalhada do Sol significa receber muito calor e as lentes aumentam consideravelmente a temperatura do telescópio. Para resolver esta questão de aquecimento, o DKIST possui no seu interior um equipamento de refrigeração composto por 8 tanques de gelo e um sistema de tubulação de 12 km de comprimento, que ajudam a reduzir sua temperatura.

Até os dias de hoje, os astrônomos tinham que esperar ocorrer um eclipse solar total para estudar a coroa solar, que é onde as tempestades solares começam. Porém, com esta nova ferramenta esta espera não será mais necessária e eles poderão obter uma visão clara e detalhada da estrela a qualquer momento. Este telescópio marca o caminho para uma maior compreensão do Sol e de seus impactos em nosso planeta.