A melhor fotografia do Sol revela novos segredos

O maior telescópio solar do mundo capturou a melhor imagem do Sol. A humanidade inicia uma nova era da ciência solar e “dá um salto” em direção à compreensão de nossa estrela e seus impactos na Terra.

Cindy Fernández Cindy Fernández Tiago Robles 12 Fev. 2020 - 09:19 UTC
sol, células, plasma, telescópio, ciência, superfície, foto, imagem
Esta é a imagem com mais detalhes sobre o Sol até agora. (NSO / NSF / AURA).

O telescópio solar Daniel K. Inouye, que fica em Maui (no Havaí), é o maior do mundo e foi construído para revelar os mistérios do Sol. Nesta semana, foram divulgadas as primeiras imagens e vídeos que mostram um “close” incomum de nossa estrela. A superfície do Sol está longe de ser plana, mas consiste em um fluxo turbulento de plasma “em ebulição” que está em constante movimento.

Em alta resolução, a foto da superfície solar mostra um padrão semelhante a um favo de mel, composto por um número incontável de núcleos ou células plasmáticas. Estas células possuem tamanhos duas vezes maiores que toda a extensão da província de Buenos Aires e se movem por toda a superfície do Sol. Os centros brilhantes das células indicam onde o plasma quente sobe, o qual posteriormente esfria e “afunda” nos contornos escuros da imagem.

O telescópio solar não vai apenas tirar fotos. Ele também tem o objetivo de registrar os campos magnéticos dentro da coroa do Sol, onde se originam as erupções solares, as quais podem afetar a vida na Terra. Este telescópio melhorará a compreensão da física existente “por trás” do clima espacial e, em última análise, espera-se que ele ajude a prever tempestades solares com mais precisão.

As erupções magnéticas do Sol são capazes de afetar o transporte aéreo, interromper as comunicações por satélite e derrubar redes elétricas, causando longos blecautes e inviabilizando o uso de GPS e internet.

O gigante da missão

O novo telescópio solar Daniel K. Inouye (DKIST) é o maior que existe até agora: possui um espelho de 4 metros, obtém imagens com resolução 5 vezes melhor que o telescópio secundário existente e pode capturar objetos a 30 km acima da superfície solar. Este telescópio foi construído pela National Science Foundation, sobre o topo de um antigo vulcão com crateras (chamado de Haleakala, que significa “casa do sol” em havaiano), local sagrado para os habitantes da ilha.

telescópio, astronomia, sol, superfície, tempestade solar, radiação, Havaí, Maui
O maior telescópio do mundo está no Havaí e é usado para estudar tempestades solares (NSO / NSF / AURA).

Estes detalhes são quase tão extraordinários quanto o sistema de refrigeração em torno do telescópio. Tirar uma foto tão detalhada do Sol significa receber muito calor e as lentes aumentam consideravelmente a temperatura do telescópio. Para resolver esta questão de aquecimento, o DKIST possui no seu interior um equipamento de refrigeração composto por 8 tanques de gelo e um sistema de tubulação de 12 km de comprimento, que ajudam a reduzir sua temperatura.

Até os dias de hoje, os astrônomos tinham que esperar ocorrer um eclipse solar total para estudar a coroa solar, que é onde as tempestades solares começam. Porém, com esta nova ferramenta esta espera não será mais necessária e eles poderão obter uma visão clara e detalhada da estrela a qualquer momento. Este telescópio marca o caminho para uma maior compreensão do Sol e de seus impactos em nosso planeta.

Publicidade