Remoção de CO2 do ar não resolverá a crise do clima, alerta a ONU

Métodos industriais que prometem enterrar dióxido de carbono em profundidades geológicas não possuem capacidade suficiente para compensar o avanço contínuo do setor petrolífero e têm prazo de esgotamento estimado em menos de dois séculos.

Novo estudo da ONU alerta que o planeta superará o limiar de 1,5°C. Foto: Magnific
Novo estudo da ONU alerta que o planeta superará o limiar de 1,5°C. Foto: Magnific

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) divulgou um relatório técnico que aborda o estouro iminente do limite de aquecimento global preconizado pelo Acordo de Paris. Conhecido como overshoot, o fenômeno descreve o período em que a temperatura média global ultrapassará a marca de 1,5°C nas próximas décadas até que consiga retroceder.

Diante desse cenário, o documento propõe uma postura mais realista e emergencial para enfrentar a crise climática. Além disso, a entidade observa com forte ceticismo as tecnologias voltadas à remoção artificial de dióxido de carbono da atmosfera, defendendo que o foco principal precisa recair sobre o corte rápido de emissões de gases poluentes.

Incertezas e limites das soluções tecnológicas de captura

Atualmente, as duas principais vias para extrair carbono do ar são o plantio de florestas e a Captura e Armazenamento de Carbono (CCS), método que enterra o dióxido de carbono da produção de óleo e gás em reservatórios profundos.

Análise do Pnuma ressalta que remediar o clima sairá muito mais caro do que reduzir as emissões agora. Foto: Magnific
Análise do Pnuma ressalta que remediar o clima sairá muito mais caro do que reduzir as emissões agora. Foto: Magnific

Contudo, o Pnuma avalia que a ampliação do CCS tem capacidade restrita e pouco realista para frear o aquecimento global. Os cientistas afirmam que o potencial da tecnologia compensa, no máximo, o que as próprias petrolíferas geram ao extrair combustíveis fósseis.

Adicionalmente, as reservas geológicas disponíveis para armazenar tais resíduos podem se esgotar por volta do ano 2200, enquanto alternativas diretas no ar (DACCS) seguem com custo muito alto e demanda energética inviável para ampla escala.Do mesmo modo, o reflorestamento em larga escala apresenta gargalos físicos e produtivos expressivos.

Em um cenário de temperaturas elevadas, as plantas podem perder eficácia na absorção de carbono, gerando ainda disputas de terras com o setor agrícola. "Seriam necessários cem anos de reflorestamento e manejo florestal na escala atual, com zero emissões residuais de CO2, para baixar a temperatura global em 0,1°C", afirma o levantamento.

Estratégias em fases e urgência na redução imediata

Para gerenciar o período de overshoot, os pesquisadores sugerem organizar as iniciativas globais em três etapas distintas. A fase inicial foca a resposta imediata por meio de cortes severos de gases estufa; a segunda visa a conter os impactos e atingir emissões líquidas zero; e a terceira busca consolidar técnicas seguras de remoção de longo prazo antes da virada do século.

A proposta rebate o posicionamento de países que mantêm planos de exploração fóssil a longo prazo, entre eles Estados Unidos, Rússia e Brasil, além da China. O Pnuma adverte que confiar excessivamente em intervenções futuras não substitui a diminuição da queima de carvão, gás e petróleo no presente.

Paralelamente, a ONU ressalta que preparar as nações para enfrentar eventos climáticos extremos já se tornou um passo incontornável. Para a entidade internacional, garantir financiamento e justiça climática nas negociações multilaterais é o caminho para impedir perdas financeiras e proteger populações mais vulneráveis em todo o mundo.

Referência da notícia

Clima e Meio Ambiente. (2026). Clima: ONU alerta que ação imediata é a única forma de evitar catástrofe global.
O Globo. (2026). ONU: técnicas para remover CO2 não ajudarão a reverter estouro da meta de temperatura se emissões não caírem.