Remoção de CO2 do ar não resolverá a crise do clima, alerta a ONU
Métodos industriais que prometem enterrar dióxido de carbono em profundidades geológicas não possuem capacidade suficiente para compensar o avanço contínuo do setor petrolífero e têm prazo de esgotamento estimado em menos de dois séculos.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) divulgou um relatório técnico que aborda o estouro iminente do limite de aquecimento global preconizado pelo Acordo de Paris. Conhecido como overshoot, o fenômeno descreve o período em que a temperatura média global ultrapassará a marca de 1,5°C nas próximas décadas até que consiga retroceder.
Diante desse cenário, o documento propõe uma postura mais realista e emergencial para enfrentar a crise climática. Além disso, a entidade observa com forte ceticismo as tecnologias voltadas à remoção artificial de dióxido de carbono da atmosfera, defendendo que o foco principal precisa recair sobre o corte rápido de emissões de gases poluentes.
Incertezas e limites das soluções tecnológicas de captura
Atualmente, as duas principais vias para extrair carbono do ar são o plantio de florestas e a Captura e Armazenamento de Carbono (CCS), método que enterra o dióxido de carbono da produção de óleo e gás em reservatórios profundos.

Contudo, o Pnuma avalia que a ampliação do CCS tem capacidade restrita e pouco realista para frear o aquecimento global. Os cientistas afirmam que o potencial da tecnologia compensa, no máximo, o que as próprias petrolíferas geram ao extrair combustíveis fósseis.
Em um cenário de temperaturas elevadas, as plantas podem perder eficácia na absorção de carbono, gerando ainda disputas de terras com o setor agrícola. "Seriam necessários cem anos de reflorestamento e manejo florestal na escala atual, com zero emissões residuais de CO2, para baixar a temperatura global em 0,1°C", afirma o levantamento.
Estratégias em fases e urgência na redução imediata
Para gerenciar o período de overshoot, os pesquisadores sugerem organizar as iniciativas globais em três etapas distintas. A fase inicial foca a resposta imediata por meio de cortes severos de gases estufa; a segunda visa a conter os impactos e atingir emissões líquidas zero; e a terceira busca consolidar técnicas seguras de remoção de longo prazo antes da virada do século.
A proposta rebate o posicionamento de países que mantêm planos de exploração fóssil a longo prazo, entre eles Estados Unidos, Rússia e Brasil, além da China. O Pnuma adverte que confiar excessivamente em intervenções futuras não substitui a diminuição da queima de carvão, gás e petróleo no presente.
Paralelamente, a ONU ressalta que preparar as nações para enfrentar eventos climáticos extremos já se tornou um passo incontornável. Para a entidade internacional, garantir financiamento e justiça climática nas negociações multilaterais é o caminho para impedir perdas financeiras e proteger populações mais vulneráveis em todo o mundo.
Referência da notícia
Clima e Meio Ambiente. (2026). Clima: ONU alerta que ação imediata é a única forma de evitar catástrofe global.
O Globo. (2026). ONU: técnicas para remover CO2 não ajudarão a reverter estouro da meta de temperatura se emissões não caírem.