Prejuízos da cheia do Rio São Francisco somam 6 milhões de reais em Minas Gerais e nível segue alto

A situação no Rio São Francisco permanece crítica neste início de fevereiro, pois, apesar de um leve recuo das águas em cidades mineiras, a onda de cheia atingiu níveis históricos na Bahia e novos temporais estão previstos para a região.

Com rio 7 metros acima do normal em MG, Defesa Civil monitora chegada de novas chuvas na bacia. Foto: Adobe Stock
Com rio 7 metros acima do normal em MG, Defesa Civil monitora chegada de novas chuvas na bacia. Foto: Adobe Stock

Boletins emitidos na madrugada desta terça-feira (03) pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) renovaram o estado de atenção para a bacia do Rio São Francisco. A atualização aponta um risco hidrológico moderado para a permanência de inundações na Bahia e a possibilidade de novas enxurradas em Minas Gerais, devido à previsão de pancadas de chuva de intensidade moderada a forte para as próximas horas.

Embora tenhamos noticiado anteriormente a subida crítica das águas, o cenário agora evolui para uma fase de instabilidade, onde a média de precipitação prevista pode reverter a lenta vazante observada em alguns pontos. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o acumulado de chuvas pode atingir a marca de 100 milímetros em praticamente todas as regiões mineiras ao longo desta semana.

Essa projeção preocupa as autoridades locais, pois o solo já se encontra encharcado e os níveis dos rios permanecem muito acima do normal. A propagação da onda de cheia continua seu curso, afetando agora com maior intensidade o trecho baiano do Velho Chico, especificamente na região de Guanambi e municípios vizinhos.

Prejuízos milionários e lenta vazante em Minas Gerais

No Norte de Minas, a cidade de São Francisco contabiliza os estragos deixados pelo pico da cheia ocorrido no fim de semana. Levantamentos atualizados pela Defesa Civil Municipal indicam que os prejuízos financeiros somam cerca de R$ 6 milhões, incluindo a destruição de lavouras, perda de móveis, eletrodomésticos e morte de animais. Cerca de 200 famílias precisaram ser retiradas de suas casas em comunidades como Ilha das Porteiras e Lajedo, sendo abrigadas na sede urbana.

Apesar do cenário de destruição, houve um leve recuo no nível das águas nas últimas 24 horas. Em São Francisco, o rio baixou, mas ainda se mantém 5,94 metros acima do seu nível normal. Situação semelhante ocorre em Pedras de Maria da Cruz, onde a medição apontou uma descida para 6,20 metros acima do normal, após ter superado a cota de inundação com 7,58 metros na sexta-feira passada.

Onda de cheia atinge pico histórico na Bahia

Enquanto Minas Gerais observa uma tímida redução, a onda de cheia se deslocou com força para o estado da Bahia. O município de Carinhanha registrou no último sábado a sua máxima do atual período chuvoso, com o rio atingindo 6,06 metros — superando significativamente a cota de inundação de 5 metros. O volume de água que desce pela calha principal é impulsionado pela operação da Usina Hidrelétrica de Três Marias, que atingiu 70% de seu volume útil e aumentou a defluência para 470 m³/s a fim de controlar o reservatório.

Essa dinâmica hidrológica impacta diretamente cidades situadas no curso inferior do rio, como Bom Jesus da Lapa. As projeções do Serviço Geológico do Brasil (SGB) indicavam que o nível do rio alcançaria 7,35 metros neste início de fevereiro, ultrapassando a cota de inundação local de 6,25 metros. O cenário exige cautela, pois a combinação entre a cheia que chega de Minas e as chuvas locais mantém o risco elevado para deslizamentos pontuais e alagamentos em áreas de drenagem deficiente.

Referências da notícia

Cheia provoca perdas e eleva tensão às margens do Velho Chico. 03 de fevereiro, 2026

Rio São Francisco supera cota de alerta e provoca alagamentos em cidades de MG e da Bahia. 02 de fevereiro, 2026