Mudança climática levará o planeta inteiro a um ponto sem volta

O andamento das mudanças climáticas estão chegando a pontos irreversíveis e, infelizmente, as pessoas ainda não percebem como isso será impactante para a raça humana. Há esperança, mas seria necessário uma reflexão global e uma conscientização unificada em pró do planeta.

Davi Moura Davi Moura 30 Nov. 2019 - 12:05 UTC
De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climática, as calotas da Groenlândia e da Antártica perderam mais de 400 bilhões de toneladas de massa por ano na década anterior a 2015.

As evidências de que mudanças irreversíveis nos sistemas climáticos da Terra estão em andamento significa que estamos em um estado de emergência planetária. Uma mudança gradual dos sistemas climáticos pode chegar a um ponto de inflexão global. Esse colapso dos sistemas da Terra pode levar a condições de "estufa" com um aumento da temperatura global de 5º C, o nível do mar subindo de 6 a 9 metros, perda completa dos recifes de coral do mundo e da floresta Amazônica, e com grandes partes do planeta se tornando inabitáveis.

É um choque desagradável quando pensamos que os pontos de inflexão climática já estão em andamento. Por exemplo, de acordo com climatologistas da Universidade de Exeter, dados recentes mostram que há um lento colapso da camada de gelo da Antártica Ocidental em andamento. O mesmo pode estar acontecendo com a camada de gelo no lado oriental. Se ambos derreterem, podem elevar o nível do mar em 7 metros nos próximos cem anos.

As camadas de gelo da Antártica Ocidental e Oriental são apenas dois dos nove pontos críticos - ou gigantes do sistema climático - que mostram sinais claros de que estão chegando a um ponto sem retorno.

Uma vez teórico, agora real

A ideia de pontos de inflexão ou ponto sem retorno foi introduzida há 20 anos pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). A perda do manto de gelo da Antártica Ocidental e da floresta amazônica, ou o extenso degelo do permafrost, além de outros componentes-chave do sistema climático, são considerados "pontos de inflexão" porque podem atravessar limites críticos e se tornarem irreversíveis.

Inicialmente, pensava-se que os pontos de inflexão ocorreriam apenas em casos de aquecimento global acima de 5º C. Porém, os relatórios do IPCC no ano passado alertam que estes pontos podem ocorrer entre 1º C e 2º C. Todo aumento fracionário de temperatura aumenta o risco de acionar um dos 30 principais pontos de inflexão. Com apenas 1 grau C de aquecimento atual, acredita-se que pelo menos 9 pontos de inflexão já foram acionados.

Mesmo que os países cumpram suas promessas do acordo climático de Paris de reduzir as emissões, o aquecimento ainda aumentará mais de 3º C. As emissões globais de carbono, que aumentaram ano a ano, precisam cair 7,6% ao ano a partir de agora até 2030 para manter o aquecimento próximo a 1,5º C, de acordo com um relatório da ONU divulgado em 26 de novembro.

Declarando uma emergência climática planetária

É importante observar que as temperaturas globais não são impulsionadas apenas pelas emissões humanas de gases do efeito estufa. Os sistemas naturais da Terra, como florestas, regiões polares, vulcões e oceanos, também desempenham papéis importantes no clima global. Portanto, além de entender o impacto das ações humanas e controlá-las, é necessário também manusear efeitos naturais para que o clima do planeta se estabilize. Porém, isso é algo para um futuro distante e, no momento, o que podemos fazer é controlar nossas ações.

Já é tarde para impedir que alguns pontos de inflexão aconteçam, já que há evidências de que pelo menos nove já foram violadas. O risco de entrar em um ponto de inflexão global irreversível, com tremendos impactos na civilização humana, garante a declaração de uma emergência climática planetária. Minimizar o risco requer manter o aquecimento global o mais próximo possível de 1,5º C para os próximos 30 anos e depois reverter em um cenário otimista.

Publicidade