Janeiro de 2026 registra o dobro da média histórica de focos de incêndio em todo o Brasil, segundo INPE
Com a estiagem castigando estados do Norte e Nordeste, o Brasil atingiu a marca de 4.571 pontos de calor no primeiro mês de 2026, configurando um dos piores janeiros da série histórica segundo dados do Programa Queimadas.

O início de 2026 acendeu um sinal de alerta para o monitoramento ambiental em todo o território nacional, contrariando as expectativas de um período chuvoso mais robusto em certas regiões. O Brasil contabilizou 4.571 focos de incêndio apenas no primeiro mês do ano, o que representa uma elevação de 45,7% em comparação ao mesmo período de 2025, quando foram notificados 3.137 registros.
Embora o ano anterior tenha fechado com uma redução significativa nos índices gerais, a retomada abrupta das chamas neste começo de ano sugere que a vigilância e as políticas de prevenção precisarão ser intensificadas, especialmente em biomas que deveriam estar úmidos nesta época.
Seca severa impulsiona o fogo no norte e nordeste
A distribuição geográfica das chamas revela uma concentração preocupante na Região Norte e no Nordeste, impulsionada por condições meteorológicas adversas. O estado do Pará liderou o ranking nacional, acumulando 1.044 focos de incêndio. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade paraense pondera que recortes temporais curtos exigem cautela na análise, pois podem refletir eventos concentrados em poucos dias, sem necessariamente ditar uma tendência anual consolidada.

Logo na sequência, o Maranhão aparece com 990 registros, vivenciando o pior janeiro de sua história, superando até mesmo o recorde anterior de 2019. O cenário no estado é agravado por uma estiagem severa que atinge todo o território, criando o ambiente propício para a propagação do fogo.
A persistência de um quadro de seca acentuada também castiga o Ceará e o Piauí, que registraram 476 e 251 focos, respectivamente. Dados do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas (ANA) indicam que essas áreas enfrentam déficit hídrico contínuo desde o inverno de 2023. No Ceará, a pasta responsável pelo meio ambiente explica que o cenário reflete a inércia térmica e a aridez herdadas de um dezembro que já havia sido atípico.
A dinâmica dos biomas e a resposta ambiental
A Amazônia foi o bioma mais afetado, concentrando a maior parcela das ocorrências, com 2.058 pontos de calor detectados. Por outro lado, o Distrito Federal se destacou positivamente ao não registrar nenhum foco durante o mês, enquanto estados como Acre e Rondônia apresentaram números baixos, com 2 e 11 registros, respectivamente.
Essa variação regional demonstra como os fatores climáticos locais, somados à ação humana, influenciam diretamente a vulnerabilidade da vegetação. Apesar do susto inicial em 2026, vale lembrar que a Política Nacional do Manejo Integrado do Fogo está em vigor desde julho de 2024, estabelecendo diretrizes coordenadas entre governo federal, estados e municípios.
Além disso, o aumento de brigadistas e o orçamento ampliado buscam mitigar os riscos, provando que a quantidade de focos, embora seja um indicador vital, não é a única métrica para avaliar a eficácia do combate aos incêndios.
Referências da notícia
Dados do Inpe revelam que janeiro teve 4.571 focos de incêndio ativos no território nacional. Programa Queimadas - BDQueimadas