Geólogos em alerta: vulcão mais alto da Europa mostra sinais de atividade após mais de 100 anos adormecido

Um novo abalo sísmico no Teide, o terceiro em uma semana, aumenta a atenção em torno do vulcão, nos lembrando que o magma continua se movendo sob a ilha de Tenerife.

Nas últimas horas, foi detectado um novo abalo sísmico com cerca de mil micro-movimentos na área ao redor do Monte Teide.
Nas últimas horas, foi detectado um novo abalo sísmico com cerca de mil micro-movimentos na área ao redor do Monte Teide.

A atividade sísmica voltou a se intensificar em torno do vulcão Teide. A Rede Sísmica do INVOLCAN (Instituto Vulcanológico das Ilhas Canárias) detectou outro conjunto de eventos sísmicos na ilha de Tenerife em 16 de fevereiro, com início às 20:00 horas (hora local).

Centenas de microssismos de muito baixa amplitude foram registrados em poucas horas. O IGN (Instituto Geográfico Nacional) confirmou outro novo abalo às 23:00h (hora local) de 18 de fevereiro, com cerca de 1.000 pequenos movimentos detectados.

A comissão consultiva do Plano Especial de Proteção Civil e Atenção de Emergência por risco vulcânico reuniu-se na quinta-feira (19), confirmando o aumento da atividade no sistema Teide, que entra em uma “nova” fase. No entanto, insistem que a probabilidade de uma erupção é muito baixa a curto prazo. O semáforo vulcânico continua verde.

Segundo informações divulgadas pelo INVOLCAN, este é o nono conjunto detectado em Tenerife desde 2 de outubro de 2016 e o terceiro na última semana, o que é mais anômalo. Episódios comparáveis ocorreram em junho de 2019, junho e julho de 2022, novembro de 2024, agosto de 2025 e, mais recentemente, em 12 de fevereiro de 2026. O sinal sísmico foi registrado, entre outros, pela estação TNOR localizada na face norte do Teide.

O que é um conjunto sísmico híbrido?

Os chamados “eventos híbridos” combinam caraterísticas de sismicidade de fraturação, associadas à ruptura de rochas, com sinais ligados ao movimento de fluidos no interior do edifício vulcânico. A hipótese mais provável, apoiada por dados geoquímicos e geofísicos independentes, aponta para a injeção de fluidos magmáticos no sistema hidrotermal da ilha.

Este processo não é novo. Desde o final de 2016, tem sido observado um aumento do chamado “ruído vulcânico” em Tenerife, acompanhado por um aumento da emissão difusa de dióxido de carbono (CO₂) na cratera do Teide e uma ligeira deformação do terreno detectada no setor nordeste do Monte. Estes são sinais que indicam dinamismo interno, embora não impliquem necessariamente uma erupção iminente.

De fato, o IGN e o INVOLCAN insistiram, após a reunião do PEVOLCA, que este novo conjunto não implica qualquer alteração na probabilidade de uma erupção a curto prazo. No entanto, confirmam que o sistema vulcânico continua ativo e que os processos profundos não diminuíram, estando mesmo aumentando. A hipótese mais provável é a injeção de fluidos magmáticos no sistema hidrotermal da ilha.

Que tipo de erupções são comuns em Tenerife?

Samuel Biener, geógrafo da Meteored Espanha, especialista em riscos naturais, explica que, em tempos históricos, Tenerife tem sido dominada por erupções estrombolianas, semelhantes à registrada em 2021 na ilha de La Palma.

"São erupções caracterizadas por magma basáltico relativamente fluido, emissão de escoadas de lava e atividade explosiva moderada, com alternância de fases mais calmas e mais intensas. A sua duração pode variar de alguns dias a vários meses", afirma ele. “Os danos materiais são muito variáveis de uma erupção para outra, e conforme o local onde ocorrem e a proximidade de zonas habitadas”, acrescenta.

Em Tenerife, predominaram as erupções de tipo Estromboliano, semelhantes à regisrtada em 2021 na ilha de La Palma.
Em Tenerife, predominaram as erupções de tipo Estromboliano, semelhantes à regisrtada em 2021 na ilha de La Palma.

No entanto, ele acrescenta que o sistema do Teide também é capaz de gerar erupções subplinianas, muito mais explosivas e violentas, com colunas eruptivas de grande altura e emissão abundante de cinzas e materiais piroclásticos. “Este tipo de comportamento está associado a estruturas mais complexas e a uma evolução magmática diferente”, disse.

Onde será mais provável uma erupção em Tenerife?

Ao contrário de grande parte da ilha, onde o vulcanismo monogenético domina, formando pequenos cones, crateras e fluxos de lava em um único evento eruptivo, Biener sugere que o complexo Teide-Pico Viejo é constituído por estratovulcões. Estes edifícios vulcânicos formaram-se a partir de sucessivas erupções ao longo de milhares de anos, o que lhes confere uma arquitetura interna mais complexa e um potencial eruptivo diversificado.

Segundo Biener, é “impossível prever exatamente onde poderá ocorrer uma futura erupção”. No entanto, as maiores probabilidades concentram-se em Las Cañadas e nas cristas vulcânicas da ilha. Por outro lado, nos antigos edifícios vulcânicos de Anaga e Teno “o risco eruptivo é quase inexistente devido à sua geologia mais antiga e independente”, afirma ele.

A mensagem dos especialistas é que o sistema vulcânico do Teide está ativo e emite sinais, mas não há indicadores que apontem para uma erupção iminente. O que este novo conjunto de sismos deixa de mensagem é uma chamada de atenção científica e social: por baixo da aparente calma da paisagem vulcânica, a dinâmica interna da ilha continua evoluindo.