Chuvas extremas se espalham pelo Brasil e volumes previstos atingem os 150 mm

Chuvas atípicas e extremas estão previstas para uma ampla faixa do Brasil entre sexta (4) e segunda-feira (7).

Os volumes acumulados podem causar transtornos em algumas áreas.
Os volumes acumulados podem causar transtornos em algumas áreas.

O modelo ECMWF alerta para chuvas extremas se espalhando por uma ampla área do Brasil entre sexta-feira (4) e segunda-feira (7), o feriado da Independência do Brasil. Um corredor de umidade será organizado pelo escoamento de uma nova frente fria, ocasionando tempestades e chuvas intensas.

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Os volumes diários previstos em várias regiões são considerados extremos e, em algumas áreas, os acumulados podem alcançar 150 mm. A seguir, entenda o que significa uma chuva extrema e quais são as áreas em alerta para transtornos.

Índice dispara alerta de chuvas extremas

O Índice de Previsão Extrema (EFI) do ECMWF para a precipitação acende um alerta para chuva potencialmente extrema entre sábado (5) e segunda-feira (7). Diferentemente dos mapas tradicionais de precipitação, o EFI não indica quantos milímetros devem cair, mas sim o quão incomum a chuva prevista é para cada local e época do ano.

Isso significa que um mesmo volume de chuva pode ser considerado extremo em uma região e relativamente comum em outra.

O índice compara a previsão atual com a climatologia do modelo. Quanto mais próximo de 1 for o valor do EFI, maior é a probabilidade de ocorrência de um evento raro ou muito acima do padrão esperado para a região. Valores acima de 0,5 já indicam um sinal relevante de anomalia, enquanto valores acima de 0,8 costumam estar associados a eventos potencialmente extremos.

EFI do ECMWF para a precipitação entre sábado (5) e segunda-feira (7). Créditos: Meteored/ECMWF.
EFI do ECMWF para a precipitação entre sábado (5) e segunda-feira (7). Créditos: Meteored/ECMWF.

A interpretação do EFI deve ser feita em conjunto com a climatologia. As áreas de maior preocupação são aquelas onde coincidem valores elevados do EFI e limiares igualmente elevados, indicando não apenas um evento incomum, mas também potencial para impactos significativos.

Em áreas mais secas do Brasil central, por exemplo, 20 a 30 mm em um único dia já podem representar um evento raro para a época do ano. Já no Centro-Sul do Brasil, onde a climatologia favorece volumes mais elevados, o limiar para caracterizar um evento extremo pode superar 80 mm em 24 horas, e são essas as áreas em alerta para transtornos.

No sábado (5), o principal sinal de chuva extrema concentra-se entre o Paraná e áreas vizinhas como Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e São Paulo. No domingo (6), o alerta se expande para uma extensa faixa do país, abrangendo áreas do Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e até partes do Nordeste. Já na segunda-feira (7), os maiores valores do índice se concentram entre o norte do Sudeste e parte da Região Norte.

Acumulados podem passar de 150 mm

Os maiores acumulados de chuva previstos até o final da segunda-feira (7) estão previstos para uma área entre o Paraná e São Paulo. No nordeste do Paraná, o volume pode se aproximar ou ultrapassar 150 mm. Além disso, diversas áreas do Paraná, sul e litoral de São Paulo, bem como em regiões do Mato Grosso do Sul, podem registrar volumes superiores a 100 mm.

As chuvas volumosas estão relacionadas com tempestades potencialmente intensas, com risco de granizo e rajadas de vento.
As chuvas volumosas estão relacionadas com tempestades potencialmente intensas, com risco de granizo e rajadas de vento.

Além disso, tendência é que a chuva continue ao longo da semana, elevando ainda mais os acumulados. A previsão dos modelos é atualizada constantemente e, até lá, os valores e posição dos máximos pode sofrer ajustes. É importante continuar monitorando a evolução do fenômeno e as atualizações da previsão do tempo.

Previsão de acumulado de chuva (mm) até o final de segunda-feira (7), segundo o ECMWF.
Previsão de acumulado de chuva (mm) até o final de segunda-feira (7), segundo o ECMWF.

Elevados volumes de chuva em curtos períodos de tempo elevam os riscos para transtornos à sociedade, especialmente em áreas urbanas. As cidades têm o solo mais impermeabilizado pelo concreto, impedindo a infiltração da água e favorecendo enxurradas repentinas. A maior concentração de habitantes aumenta o impacto, ao afetar mais pessoas ao mesmo tempo.

A população e a Defesa Civil precisam estar em alerta para enfrentar este novo episódio de chuvas volumosas. Evite áreas ao ar livre durante as tempestades e nunca atravesse uma área alagada, a pé ou de carro.