El Niño muito forte: safra 2026/27 inicia sob intenso contraste de chuva e seca
A safra de grãos deve alcançar 360,8 milhões de toneladas, enquanto o El Niño muito forte amplia contrastes entre chuva no Sul e secura no interior, exigindo novas decisões regionais para o plantio de 2026/27.

A safra brasileira 2025/26 caminha para 360,8 milhões de toneladas em 83,5 milhões de hectares, enquanto o El Niño ganha força no Pacífico. Entre 15 e 21 de agosto, calor acima de 40 °C domina Mato Grosso e Goiás, enquanto tempestades alcançam o Rio Grande do Sul. Soja, milho e trigo entram nessa transição em momentos distintos.
O contraste favorece a colheita do milho segunda safra no Centro-Oeste, mas reduz a umidade superficial antes do plantio da soja. No Sul, a chuva amplia o molhamento foliar do trigo e encurta janelas de pulverização. No Matopiba, a irregularidade prevista exige planejamento hídrico antes da semeadura.
Produção cresce 2,4%, mas culturas encerram 2025/26 em situações diferentes
O 11º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta aumento de 2,4% na produção nacional, equivalente a 8,5 milhões de toneladas. A soja alcança 180,5 milhões de toneladas, alta de 5,2%. O Centro-Oeste responde por 87,9 milhões de toneladas, enquanto o Sul soma 43,8 milhões e o Matopiba, 25,4 milhões.

O milho totaliza 143 milhões de toneladas: 29,5 milhões na primeira safra, 111 milhões na segunda e 2,4 milhões na terceira. Em agosto, 58,3% da segunda safra estava colhida em Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. Já o trigo cai para 5,8 milhões de toneladas, redução de 26,2%, com Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul expostos ao excesso de umidade.
El Niño reforça contraste entre Sul úmido e interior com chuva irregular
As águas do Pacífico apresentaram anomalias entre 3 °C e 4 °C perto da América do Sul, enquanto a região Niño 3.4 superou 2 °C na segunda quinzena de julho. A atualização de 14 de agosto indica probabilidade mínima de 90% de um episódio muito forte. Entre agosto e outubro, aumenta a chance de chuva acima da média no Sul e abaixo da média no Norte e Nordeste.

Esse desenho não determina o rendimento, mas altera o risco operacional. No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, eventos frequentes podem encharcar o solo, favorecer doenças e atrasar a adubação do trigo. Em Bahia, Maranhão e Piauí, chuva irregular pode prejudicar a emergência da soja quando houver pouca água no perfil. Mato Grosso e Goiás também exigirão confirmação das chuvas.
- No Rio Grande do Sul, volumes localizados de 100 a 200 mm até o início da semana podem ampliar o molhamento do trigo.
- Em Mato Grosso e Goiás, máximas acima de 40 °C até 17 de agosto aceleram a perda de água na camada superficial.
- No Matopiba, a soja só deve avançar após chuva suficiente para umedecer uniformemente o perfil de semeadura.
Decisões até outubro devem acompanhar solo, chuva e janelas de operação
Entre 18 e 21 de agosto, calor e tempo seco continuam no Centro-Oeste e interior do Sudeste, enquanto o Rio Grande do Sul permanece sujeito a instabilidades. A colheita de milho e algodão pode avançar em Sorriso, Rio Verde e Uberaba, mas umidade abaixo de 20% limita pulverizações e eleva o risco de fogo. No Sul, o maquinário exige solo com sustentação.
Para 2026/27, o plantio não deve ser definido apenas pela primeira chuva. Em Cascavel, Passo Fundo e Luís Eduardo Magalhães, será necessário verificar umidade no perfil, continuidade da precipitação e condição da área. Pulverização, irrigação e adubação devem ser ajustadas à cultura e ao solo, com avaliação agronômica local, pois a expressão regional do El Niño ainda pode mudar.