Chuva irregular em MT: semeadura precoce da soja pode elevar risco de replantio
Mato Grosso libera a semeadura da soja, mas volumes inferiores a 6 mm em importantes polos agrícolas podem falhar na reposição do solo, ameaçando emergência uniforme no campo, custos e a futura janela do milho segunda safra.

O calendário da soja 2026/27 abriu em Mato Grosso em 7 de setembro, mas a previsão até domingo (13) indica menos de 6 mm em polos como Sorriso, Sinop e Rondonópolis. A umidade irregular também condiciona a implantação do milho segunda safra.
A autorização sanitária permite semear até 7 de janeiro, porém não elimina o risco de colocar sementes em solo seco. Pancadas breves podem umedecer apenas a superfície, iniciar a embebição e, sem reposição, reduzir a emergência, desuniformizar o estande e elevar custos com replantio e máquinas.
Chuva de 0,1 a 3,7 mm alcança o médio-norte até quarta-feira
Em Sorriso, a previsão soma 4,4 mm entre os dias 7 e 10, com 3,7 mm concentrados na quarta-feira (9). Sinop acumula 3,2 mm até o mesmo dia, enquanto Lucas do Rio Verde recebe 2,8 mm até quinta-feira (10). Depois, as três cidades atravessam vários dias sem chuva relevante.

Os volumes podem produzir contraste dentro da mesma fazenda quando a chuva convectiva alcança um talhão e deixa outro seco. Em solos arenosos de Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop, a menor retenção acelera a perda de água. Com máximas subindo de 32°C para 36°C, a evapotranspiração consome rapidamente a umidade superficial.
Sul e leste de Mato Grosso também recebem pancadas insuficientes
Rondonópolis começa o dia 7 sem chuva e pode somar 4,8 mm entre terça e quinta-feira, antes de a máxima alcançar 38°C na sexta (11). Primavera do Leste recebe 4,5 mm entre os dias 7 e 10, dos quais 3,2 mm na terça. Em Campo Novo do Parecis, o total chega a 5,8 mm, mas 4,2 mm ficam concentrados no sábado (12).

Para a soja entre semeadura e emergência, importam volume, infiltração, profundidade úmida e sequência posterior. A semente precisa absorver pelo menos 50% do próprio peso em água para germinar. Em experimento da Embrapa, uma lâmina de 9,2 mm produziu os maiores valores de emergência e vigor nas condições avaliadas, referência que não deve virar receita universal.
- Em Sorriso, 4,4 mm até o dia 10 pedem conferência da umidade abaixo da palhada antes de liberar a plantadeira.
- Em Primavera do Leste, 3,2 mm concentrados no dia 8 podem iniciar a embebição sem garantir continuidade até a emergência.
- Em Rondonópolis, máxima de 38°C no dia 11 acelera a secagem após apenas 4,8 mm previstos.
- Em Campo Novo do Parecis, 4,2 mm no sábado exigem nova avaliação do perfil, especialmente em áreas arenosas.
Janela aberta até janeiro exige decisão por talhão
Mato Grosso deve cultivar 13,05 milhões de hectares e produzir 48,88 milhões de toneladas, com produtividade média de 62,44 sacas por hectare.

Antecipar a soja em Sorriso, Campo Novo do Parecis e Primavera do Leste preserva espaço para o milho, mas uma emergência falha pode consumir o ganho e ampliar o custeio estimado em R$ 4.315,29 por hectare.
Entre 11 e 13 de setembro, o calor predomina e a chuva perde força em Sinop, Sorriso e Rondonópolis, embora Campo Novo do Parecis ainda possa receber uma pancada.
Antes de semear, convém medir a umidade em diferentes profundidades, atualizar a previsão e separar talhões por textura. Irrigação, tratamento de sementes e máquinas devem seguir avaliação agronômica local, cultivar e retenção do solo.