Sargaço invade o litoral brasileiro com mais frequência; entenda o que está por trás do fenômeno

Nos últimos anos, o sargaço se tornou mais frequente no litoral brasileiro, transformando praias em verdadeiros “tapetes” de algas e acumulando mais de 40 mil toneladas só no Pará.

Sargaço acumulado na Praia do Atalaia em Salinópolis (Pará) em março de 2025. Crédito:João Adriano Rossignolo.
Sargaço acumulado na Praia do Atalaia em Salinópolis (Pará) em março de 2025. Crédito:João Adriano Rossignolo.

Um novo estudo liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e divulgado na revista científica Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems identificou que nos últimos 15 anos a presença de sargaço no litoral do Brasil aumentou consideravelmente.

O sargaço é um gênero de macroalgas marrons (ou pardas) do grupo Sargassum que flutuam no oceano ou crescem fixadas em rochas à beira-mar.

São toneladas de algas que chegam e encalham, o que altera as condições da zona costeira e pode afetar atividades como turismo e pesca. Veja abaixo mais resultados importantes do artigo e o que explica essa maior presença de algas no litoral brasileiro.

Informações importantes do estudo

Para chegar às conclusões do artigo, os pesquisadores reuniram e analisaram artigos científicos e reportagens publicadas em meios de comunicação digitais sobre encalhes de sargaço no litoral brasileiro entre 2010 e 2025.

Os pesquisadores identificaram que, nestes últimos 15 anos, o sargaço têm chegado com maior frequência às praias brasileiras, e as principais espécies são a Sargassum natans e a Sargassum fluitans.

Zoom em uma biomassa de sargaço. Trata-se de uma macroalga marinha de cor amarronzada ou castanha que se assemelha a pequenos cachos ou arbustos ramificados, com pequenas estruturas em formato de bolinhas ou bagos. Crédito: João Adriano Rossignolo/FZEA-USP/Divulgação.
Zoom em uma biomassa de sargaço. Trata-se de uma macroalga marinha de cor amarronzada ou castanha que se assemelha a pequenos cachos ou arbustos ramificados, com pequenas estruturas em formato de bolinhas ou bagos. Crédito: João Adriano Rossignolo/FZEA-USP/Divulgação.

Essa biomassa de alga marinha forma extensos bancos que modificam as condições da zona costeira, podendo afetar negativamente o turismo, a pesca, os ecossistemas e também dificultar a limpeza das praias.

Mas o principal problema que o sargaço traz é para o setor turístico, com o afastamento das pessoas da praia, pois o seu acúmulo deixa a praia inapropriada para banho e para uso recreativo. Quando as algas começam a se decompor, elas vão liberando odores muito fortes que podem causar desconforto e irritação respiratória.

O vídeo abaixo mostra o acúmulo de sargaço (mancha marrom) na Praia do Atalaia em Salinópolis (Pará) em março de 2025.

Entre os estados litorâneos do nosso país, o Pará e o Maranhão estão entre os que registraram os maiores volumes de biomassa de sargaço nos últimos 15 anos.

O Pará teve o principal foco de encalhes de sargaço, seguido do Maranhão.

Somente em praias de Salinópolis, no Pará, foram acumuladas 42,8 mil toneladas de biomassa de sargaço em 2025.

No ano de 2025, só no município litorâneo de Salinópolis (Pará), que é um dos principais pontos de ocorrência desses eventos no Brasil, foram cerca de 42,8 mil toneladas de biomassa de sargaço chegando. E dessas 42,8 mil toneladas, apenas cerca de 4% foram retiradas das praias devido à dificuldades de logística.

Apesar dessas informações importantes, o país ainda carece de dados sistematizados sobre a ocorrência, a quantidade e a composição de sargaço, o que dificulta o planejamento de ações de monitoramento, manejo e remoção.

Além disso, os pesquisadores destacam também que ainda não é possível prever quando e em que quantidade o sargaço chegará às praias brasileiras.

Mas o que explica a maior frequência dessas algas no litoral do Brasil?

Segundo os pesquisadores, isso se deve à interação de diferentes fatores oceanográficos e ambientais, como a disponibilidade de nutrientes (um dos principais motivos), as condições de temperatura e salinidade do mar e as alterações nos padrões de ventos e correntes oceânicas, que influenciam tanto o crescimento das algas quanto o seu transporte pelo oceano.

Referência da notícia

Ferreira, I. (2026). Sargaço: invasão de algas no litoral brasileiro está mais frequente.
Mesquita, G. P. et al. (2026). Sargassum Strandings on the Brazilian Coast: Integrating Scientific and Media Records to Support Coastal Conservation and Monitoring.