Sargaço invade o litoral brasileiro com mais frequência; entenda o que está por trás do fenômeno
Nos últimos anos, o sargaço se tornou mais frequente no litoral brasileiro, transformando praias em verdadeiros “tapetes” de algas e acumulando mais de 40 mil toneladas só no Pará.

Um novo estudo liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e divulgado na revista científica Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems identificou que nos últimos 15 anos a presença de sargaço no litoral do Brasil aumentou consideravelmente.
São toneladas de algas que chegam e encalham, o que altera as condições da zona costeira e pode afetar atividades como turismo e pesca. Veja abaixo mais resultados importantes do artigo e o que explica essa maior presença de algas no litoral brasileiro.
Informações importantes do estudo
Para chegar às conclusões do artigo, os pesquisadores reuniram e analisaram artigos científicos e reportagens publicadas em meios de comunicação digitais sobre encalhes de sargaço no litoral brasileiro entre 2010 e 2025.
Os pesquisadores identificaram que, nestes últimos 15 anos, o sargaço têm chegado com maior frequência às praias brasileiras, e as principais espécies são a Sargassum natans e a Sargassum fluitans.

Essa biomassa de alga marinha forma extensos bancos que modificam as condições da zona costeira, podendo afetar negativamente o turismo, a pesca, os ecossistemas e também dificultar a limpeza das praias.
Mas o principal problema que o sargaço traz é para o setor turístico, com o afastamento das pessoas da praia, pois o seu acúmulo deixa a praia inapropriada para banho e para uso recreativo. Quando as algas começam a se decompor, elas vão liberando odores muito fortes que podem causar desconforto e irritação respiratória.
O vídeo abaixo mostra o acúmulo de sargaço (mancha marrom) na Praia do Atalaia em Salinópolis (Pará) em março de 2025.
IMPRESSIONANTE
— Amazônia No Ar (@amazonianoar) March 20, 2025
Vídeo mostra grande quantidade de algas marinhas do tipo Sargaço, na praia do Atalaia, em Salinópolis, no Pará. A Secretaria de Meio Ambiente da cidade iniciou o recolhimento do material orgânico. pic.twitter.com/oPwHwUdNhz
Entre os estados litorâneos do nosso país, o Pará e o Maranhão estão entre os que registraram os maiores volumes de biomassa de sargaço nos últimos 15 anos.
O Pará teve o principal foco de encalhes de sargaço, seguido do Maranhão.
No ano de 2025, só no município litorâneo de Salinópolis (Pará), que é um dos principais pontos de ocorrência desses eventos no Brasil, foram cerca de 42,8 mil toneladas de biomassa de sargaço chegando. E dessas 42,8 mil toneladas, apenas cerca de 4% foram retiradas das praias devido à dificuldades de logística.
Apesar dessas informações importantes, o país ainda carece de dados sistematizados sobre a ocorrência, a quantidade e a composição de sargaço, o que dificulta o planejamento de ações de monitoramento, manejo e remoção.
Além disso, os pesquisadores destacam também que ainda não é possível prever quando e em que quantidade o sargaço chegará às praias brasileiras.
Mas o que explica a maior frequência dessas algas no litoral do Brasil?
Segundo os pesquisadores, isso se deve à interação de diferentes fatores oceanográficos e ambientais, como a disponibilidade de nutrientes (um dos principais motivos), as condições de temperatura e salinidade do mar e as alterações nos padrões de ventos e correntes oceânicas, que influenciam tanto o crescimento das algas quanto o seu transporte pelo oceano.
Referência da notícia
Ferreira, I. (2026). Sargaço: invasão de algas no litoral brasileiro está mais frequente.
Mesquita, G. P. et al. (2026). Sargassum Strandings on the Brazilian Coast: Integrating Scientific and Media Records to Support Coastal Conservation and Monitoring.