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Núcleo da Terra está ficando menos denso e ameaça o campo magnético

Cientistas descobrem que o núcleo externo do planeta está ficando menos denso - processo que pode causar impactos e alterar diretamente o campo magnético da Terra, nossa principal fonte de proteção contra tempestades solares.

núcleo da Terra e campo magnético
Cientistas descobrem que o núcleo externo do planeta pode estar ficando menos denso, processo que pode impactar diretamente o campo magnético da Terra.

Uma pesquisa realizada pelo Departamento de Geociências da Virginia Tech revelou novas informações sobre o núcleo do nosso planeta - que está passando por transformações e pode impactar o comportamento do campo magnético da Terra.

Composição do núcleo terrestre pode estar mudando e isso pode colocar impactar perigosamente o magnetismo do planeta.

Desde o ensino fundamental, aprendemos que o nosso planeta possui diversas camadas. A mais externa, sobre a qual vivemos, é a crosta terrestre. Abaixo dela, há o manto superior, o manto inferior, o núcleo externo e o núcleo interno.

O fato, no entanto, é que é impossível explorar estas camadas, uma vez que não temos como acessar regiões de profundidade tão grande no nosso planeta. Cientistas, portanto, buscam por métodos indiretos de estudá-las.

Um dos métodos mais utilizados é o estudo das ondas sísmicas internas do planeta, que permitem, a partir de análises bastante complexas, formular hipóteses sobre a formação, a espessura e a composição de cada uma das camadas do Planeta.

Por isso, o pesquisador responsável pelo estudo, Ying Zhou, utilizou dados sísmicos dos últimos 20 anos para estudar a evolução destas ondas - focando em dois terremotos ocorridos nas ilhas Kermadec, localizadas ao sul do Oceano Pacífico, em 1997 e 2018.

Como descobriram que o núcleo terrestre está se transformando?

A grande descoberta do pesquisador foi que as ondas geradas pelo terremoto há 25 anos atrás viajaram cerca de um segundo mais devagar do que as ondas geradas pelo terremoto mais recente.

Um segundo pode parecer pouca coisa, mas possui um peso gigantesco para o estudo da geologia. Essa diferença significa que alguma coisa mudou no centro do planeta, alterando a trajetória das ondas.

Como as ondas sísmicas se propagaram pela metade superior do núcleo externo do planeta, a explicação mais plausível é a de que essa camada do planeta está de 2 a 3% menos densa do que estava 25 anos atrás. Materiais pesados que estavam ali em 1997 não estavam mais em 2008, fazendo com que as ondas viajassem mais rápido.

Em outras palavras, a composição do núcleo do nosso planeta está mudando, possivelmente devido a fluxos transitórios e rápidos de elementos leves - E como a composição do núcleo afeta diretamente o campo magnético do planeta, espera-se que esse processo também cause impactos potencialmente perigosos no magnetismo da Terra.

O campo magnético do planeta nos protege da radiação solar e é essencial para a sobrevivência humana. Sem ele, nosso planeta se tornaria seco e deserto, como Marte, e seria impossível sobreviver.

Ainda assim, ainda sabe-se pouco sobre a relação entre o núcleo externo do planeta e o seu campo magnético. O próprio polo norte se move cerca de 50 km por ano em direção à Sibéria, o que sugere uma mudança constante nos fluxos das camadas internas do planeta - embora evidências destas mudanças ainda não tenham sido encontradas.

Ainda há muito a se entender sobre o planeta Terra. Mas o mais importante é que, pelo menos por enquanto, tudo sugere que estamos a salvo.