Cientistas transformam a Starlink em um scanner gigante para a alta atmosfera da Terra

Pesquisadores da Universidade de Kyoto utilizaram dados orbitais de cerca de 1.200 satélites Starlink para mapear a densidade atmosférica a uma altitude de cerca de 500 km acima da Terra, o que poderia ajudar a reduzir o risco de colisões em órbita.

Pesquisadores utilizaram dados orbitais de aproximadamente 1.200 satélites para reconstruir como a densidade atmosférica varia ao longo da termosfera, a uma altitude de cerca de 500 quilômetros acima da Terra.
Pesquisadores utilizaram dados orbitais de aproximadamente 1.200 satélites para reconstruir como a densidade atmosférica varia ao longo da termosfera, a uma altitude de cerca de 500 quilômetros acima da Terra.
Lee Bell
Lee Bell Meteored Reino Unido 4 min

Centenas de quilômetros acima da Terra existe uma camada atmosférica conhecida como termosfera, composta quase inteiramente por gás eletricamente neutro, o que torna sua medição extremamente difícil.

Isso representa um problema porque, segundo pesquisadores, a atmosfera permanece densa o suficiente, mesmo nessas altitudes, para afetar satélites e desacelerá-los. Com as órbitas cada vez mais congestionadas, determinar com precisão a densidade atmosférica é crucial para evitar colisões. Agora, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Kyoto encontrou uma solução para esse desafio de medição ao adaptar uma técnica utilizada na medicina.

Utilizando dados orbitais disponíveis publicamente de cerca de 1.200 satélites da empresa Starlink que orbitam a uma altitude de aproximadamente 482 quilômetros, a equipe aplicou um método conhecido como tomografia — o mesmo princípio usado em exames de tomografia computadorizada — para calcular a densidade da atmosfera circundante com base no arrasto aerodinâmico que desacelera cada satélite.

Utilizando técnicas de imagem médica no céu

A partir dos dados coletados, os cientistas construíram o que chamam de “primeiro instantâneo bidimensional de latitude e longitude” da densidade da termosfera a uma altitude de aproximadamente 500 km.

Os padrões que encontraram correspondiam a observações independentes dos satélites SWARM da Agência Espacial Europeia, dando-lhes confiança de que o método funcionava.

A nova técnica demonstrou como o arrasto aerodinâmico de satélites pode ser utilizado para aprimorar as previsões orbitais, tornando potencialmente mais segura a navegação em regiões do espaço cada vez mais congestionadas.
A nova técnica demonstrou como o arrasto aerodinâmico de satélites pode ser utilizado para aprimorar as previsões orbitais, tornando potencialmente mais segura a navegação em regiões do espaço cada vez mais congestionadas.

"Este é um estudo multidisciplinar que envolve ciência espacial e engenharia espacial", afirmou o autor principal do estudo, Mamoru Yamamoto. "Após ler artigos de ambas as áreas de pesquisa, percebemos que é necessário um diálogo mais profundo entre os pesquisadores de ambos os campos", disse.

O estudo baseia-se em trabalhos anteriores do mesmo grupo, nos quais analisaram como a densidade variava ao longo do tempo e com a altitude, utilizando dados da Starlink. No entanto, a novidade desta etapa está na inclusão de uma perspectiva horizontal — como a densidade varia em diferentes partes do planeta —, algo que, segundo os pesquisadores, não havia sido feito anteriormente com esse método.

A importância para quem tem um satélite

Segundo a equipe, isso oferece uma vantagem prática: dados mais precisos sobre a densidade atmosférica permitem previsões mais exatas das posições dos satélites. E previsões melhores significam menos colisões e situações de risco em órbitas cada vez mais congestionadas.

Olhando para o futuro, os pesquisadores afirmam que essa técnica poderia viabilizar o monitoramento em tempo quase real das condições atmosféricas ao redor dos satélites.

Conforme os autores explicam, isso contribuiria para a previsão do clima espacial e tornaria as operações de satélites mais seguras e previsíveis de modo geral.

Referência da notícia

Universidad de Kioto/ScienceDaily. (2026). Científicos convierten Starlink en un escáner gigante para la atmósfera superior de la Tierra .