Urbanização no Brasil cresce 12,3% e se concentra na costa, segundo o IBGE
O levantamento oficial do IBGE identificou que mais de 70% de todo o espaço urbano nacional é composto por áreas densamente edificadas, marcadas por forte presença de construções e baixa arborização.

A malha urbana brasileira registrou uma expansão de 12,27% entre os anos de 2019 e 2022, agregando 5.954,99 quilômetros quadrados de novas áreas ocupadas ao território. Essa extensão territorial incorporada equivale praticamente à dimensão física total do Distrito Federal.
Mesmo com esse avanço contínuo, a totalidade das superfícies urbanizadas alcançou 53.925 quilômetros quadrados, o que corresponde a somente 0,6% de todo o espaço territorial do país. O panorama faz parte da quarta edição da pesquisa Áreas Urbanizadas do Brasil, publicada nesta terça-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Concentração no litoral e contrastes regionais
Elaborado por meio da interpretação visual de imagens de satélite, o estudo evidencia disparidades marcantes na ocupação do solo. Os 443 municípios costeiros reúnem 19,50% de todas as feições urbanizadas, embora ocupem apenas 5,02% da extensão brasileira. Em sentido oposto, a Amazônia Legal abrange 59,11% do país, mas responde por apenas 14,27% da área urbana nacional.
A pesquisa aponta que metade da malha urbana nacional (50,35%) está reunida em cinco unidades federativas: São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Bahia. O estado de São Paulo lidera a extensão total de feições com 9.622,68 quilômetros quadrados. Na ponta oposta, o Amapá soma apenas 184,64 quilômetros quadrados de feições urbanizadas.
No interior e nas zonas de fronteira, a distribuição das cidades se mostra mais dispersa, acompanhando com frequência o traçado das rodovias. Os registros do levantamento revelam um padrão no qual áreas de crescimento acelerado coexistem com regiões consolidadas.
Dinâmica de expansão e morfologia das cidades
Do total de feições mapeadas em 2022, 70,66% são classificadas como densas, com forte presença de construções e reduzida arborização. Os tecidos pouco densos respondem por 23,88%, ao passo que os loteamentos vazios, vetores que indicam a abertura de ruas sem edificações consolidadas, somam 5,46%.
Entre 2019 e 2022, o Nordeste liderou o avanço horizontal absoluto de feições urbanizadas ao incorporar 1.448,18 quilômetros quadrados, seguido pelas regiões Sudeste, com 1.330,54 quilômetros quadrados, e Sul, com 1.239,17 quilômetros quadrados. A Região Nordeste também concentrou a maior fatia de novos loteamentos vazios, com 44,08% do total mapeado no Brasil.
Entre os municípios com maiores expansões territoriais no período, Brasília ocupou o topo do levantamento ao registrar um acréscimo de 72,08 quilômetros quadrados de área urbana. A capital federal cresceu mais do que o dobro de São Luís, segunda colocada no ranking de acréscimo, que somou 35,76 quilômetros quadrados.
No ranking das cidades mais extensas em área urbana absoluta, São Paulo lidera com 922,41 quilômetros quadrados, seguida por Brasília (662,54 km²) e Rio de Janeiro (644,36 km²). O mapeamento concentra sua análise na extensão e forma horizontal do solo, gerando dados fundamentais para orientar o planejamento territorial, a mobilidade urbana e a habitação.
Referência da notícia
Bruno de Freitas Moura. (2026). Área urbanizada no Brasil cresceu 12,3% de 2019 a 2022, mostra IBGE.
Marcos Filipe Sousa. (2026). IBGE divulga a 4º edição da série Áreas Urbanizadas do Brasil.