Incêndios florestais disparam e mobilizam bombeiros em SP, MG e ES

Brigadistas estaduais mantêm trabalhos preventivos na construção de aceiros para proteger reservas naturais e diminuir os danos causados por chamas recorrentes durante os meses mais secos do ano.

estiagem e o calor acima da média intensificam as queimadas em vegetações do Espírito Santo. Foto: Carlos Barros/ A Gazeta
estiagem e o calor acima da média intensificam as queimadas em vegetações do Espírito Santo. Foto: Carlos Barros/ A Gazeta

A combinação de ar seco, temperaturas atípicas e estiagem tem provocado uma escalada de incêndios em áreas de vegetação no Sudeste brasileiro. Em São Paulo, a Defesa Civil emitiu um aviso para uma onda de calor com validade até o dia 19 de agosto, prevendo umidade relativa do ar abaixo de 20% e termômetros até 7°C acima da média.

O cenário crítico também atinge Minas Gerais e o Espírito Santo, onde o número de ocorrências disparou nos últimos meses. Além dos danos imediatos às áreas verdes, os focos florestais ameaçam espécies nativas e demandam ações urgentes de combate.

Avanço das chamas mobiliza bombeiros em São Paulo e Minas Gerais

No território paulista, o tempo seco ampliou expressivamente o risco de queimadas florestais. O interior deve enfrentar os maiores impactos, com destaque para as regiões de Franca, Ribeirão Preto e Presidente Prudente. Para evitar novos focos, as autoridades recomendaram não realizar limpeza de terrenos com fogo nem lançar pontas de cigarro em rodovias.

Agosto teve record de incêndios registrados em MG em 2026. Foto: Reprodução/Agência Brasil
Agosto teve record de incêndios registrados em MG em 2026. Foto: Reprodução/Agência Brasil

Em Minas Gerais, os primeiros 11 dias de agosto contabilizaram 1.429 registros em vegetação, resultando em uma média de quase cinco chamados por hora. A Região Metropolitana de Belo Horizonte somou 335 casos no mesmo intervalo, incluindo um incêndio no Parque Serra do Gandarela que mobilizou 19 agentes durante dois dias.

A maior parte dos registros no estado mineiro decorre de intervenções humanas, como a queima de lixo e a limpeza indevida de pastagens. Vale lembrar que provocar queimadas sem autorização configura crime ambiental, com pena prevista de três a seis anos de reclusão, além de penalidades financeiras.

Danos à fauna e lenta recuperação ambiental no Espírito Santo

No Sul do Espírito Santo, as queimadas atingiram 568 ocorrências entre janeiro e julho de 2026, representando um aumento de 242% em relação aos 166 registros de 2025. Municípios como Cachoeiro de Itapemirim e Marataízes concentram danos expressivos provocados pelo avanço do fogo na cobertura vegetal local.

A destruição afeta diretamente a biodiversidade regional e provoca severo desequilíbrio na fauna silvestre. Com a perda do habitat natural, muitos animais acabam sofrendo ferimentos graves ou morrendo queimados, enquanto outros são atropelados em rodovias ao tentar fugir para novos territórios.

Os prejuízos ecológicos também atingem a estrutura do solo e a sobrevivência de espécies endêmicas por longos períodos. Em ecossistemas costeiros como as restingas, a regeneração natural pode demandar até 40 anos, processo que se torna ainda mais demorado com a reincidência de queimadas em áreas frágeis.

Para conter os estragos, órgãos ambientais mantêm o monitoramento contínuo em dezoito unidades estaduais de conservação. As medidas preventivas incluem a atuação estruturada de brigadistas na abertura e conservação de aceiros antes da intensificação da temporada de estiagem.

Referência da notícia

UOL/Redação. (2026). Defesa Civil alerta para onda de calor e risco de incêndio florestal em SP.
A Gazeta/Redação. (2026). Incêndios no Sul do ES crescem e afetam recuperação do meio ambiente.
Shayla Silva. (2026). Minas Gerais registra 130 incêndios por dia em agosto; Grande BH teve 136 ocorrências em menos de 24h.