Rara e venenosa: jararaca-verde é fotografada em parque da Amazônia; confira o registro
Fotógrafo encontrou espécie arborícola no chão durante expedição no Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, no Amapá, e conseguiu registrar imagens sem interferir no comportamento do animal.

Durante uma expedição ao Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, no Amapá, o guia de turismo e fotógrafo da biodiversidade Wirley Almeida, de 34 anos, fez um registro considerado raro de uma jararaca-verde (Bothrops bilineata), espécie altamente peçonhenta. O encontro ocorreu entre os dias 2 e 5 de agosto, durante buscas por árvores gigantes na região.
A fotografia ganhou repercussão ao revelar um dos animais de difícil observação da fauna amazônica. A jararaca-verde possui hábitos predominantemente noturnos e é uma espécie arborícola, passando grande parte do tempo sobre as árvores. A coloração do corpo também favorece a camuflagem em meio à vegetação, tornando sua localização ainda mais difícil.
O que mais chamou a atenção de Wirley, no entanto, foi encontrar a cobra no chão. Segundo o guia, esse comportamento tornou o momento ainda mais especial, já que a espécie costuma permanecer nas copas das árvores. O fotógrafo realizou os registros mantendo distância e evitando qualquer interferência no animal.
Encontro inesperado durante a expedição
“Em um dos momentos da expedição, durante os deslocamentos e buscas por registros de árvores gigantes na região, tive a sorte de encontrar essa jararaca-verde”, relatou Wirley. Segundo ele, a presença da cobra no solo foi uma surpresa durante o percurso.

Morador de Serra do Navio, no Amapá, Wirley registra a biodiversidade da região desde 2010. A experiência adquirida ao longo dos anos faz com que ele permaneça atento aos detalhes encontrados durante as trilhas, inclusive a pequenos animais que podem passar despercebidos.
O fotógrafo já teve imagens de outras espécies, como sapos, publicadas em livros. Para ele, porém, o encontro com a jararaca-verde foi totalmente inesperado. “Quando percebi que era uma jararaca-verde, já sabia que estava diante de um registro muito interessante e raro”, afirmou.
Espécie vive principalmente nas copas
De acordo com Jucivaldo Dias Lima, especialista em herpetologia do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa), a jararaca-verde é uma espécie difícil de ser encontrada. Apesar disso, o pesquisador já registrou o animal em outras áreas do estado.
“É um bicho bastante venenoso, com veneno adaptado para se alimentar de pássaros”, explicou Jucivaldo. Ele destacou ainda que a espécie não é comum de ser registrada em toda a Amazônia justamente por passar grande parte do tempo nas copas, onde também encontra suas principais presas, como aves e pequenos roedores.
Peçonha exige atenção
A jararaca-verde é uma serpente peçonhenta e sua picada pode provocar consequências graves. O veneno pode causar dor intensa, inchaço, sangramentos e lesões nos tecidos, além de complicações que exigem atendimento médico imediato.
Por apresentar coloração que favorece a camuflagem e permanecer frequentemente sobre árvores e vegetação, a espécie pode ser difícil de perceber durante uma trilha. Por isso, especialistas recomendam não tentar tocar, capturar ou se aproximar do animal.
O registro feito por Wirley reforça a diversidade e a riqueza da fauna encontrada no Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque. Além de documentar uma espécie pouco observada, a fotografia mostra a importância da atuação de pesquisadores, guias e fotógrafos na identificação e divulgação da biodiversidade amazônica.
Referência da notícia
G1. (2026). Guia de Turismo faz registro raro de Jararaca-Verde altamente venenosa na Amazônia.