O megaprojeto do século: o plano de engenharia da China que redistribui água por todo o seu territorio
A China está avançando com o maior projeto de obras hidráulicas já construído para transportar água das regiões úmidas do sul para as áreas mais secas do norte, transformando o mapa hídrico nacional.

À primeira vista, pode-se pensar que a China não sofre com problemas hídricos, visto que seu território de 9.596.960 km² abriga alguns dos rios mais caudalosos da Ásia, vastas reservas glaciais e extensas regiões sujeitas a chuvas de monção.
No entanto, a China enfrenta um desequilíbrio territorial significativo, pois é na região norte que se concentra uma grande parcela da população em termos absolutos — com megacidades como Pequim e Tianjin, que apresentam enormes demandas por água.
Um projeto que desloca rios inteiros
A iniciativa foi denominada "Projeto de Transposição de Águas do Sul-Norte" (South–North Water Transfer Project); lançado em 2002, tem um único objetivo: transportar grandes volumes de água das bacias do sul, mais úmidas, para as regiões mais áridas e densamente povoadas do norte do país asiático.
Isso está sendo realizado por meio de uma rede de canais, reservatórios, estações de bombeamento e túneis.

Atualmente, existem duas rotas: a rota leste, que utiliza um trecho do histórico Grande Canal da China, e uma rota central, que transporta água do Reservatório de Danjiangkou para as imediações de Pequim e Tianjin.
Dezenas de bilhões de metros cúbicos de água já foram transferidos por meio desses dois sistemas, constituindo a maior rede de transposição de águas do planeta.
A terceira fase, um desafio ainda mais colossal
A criação de outra grande rota vem sendo considerada há vários anos; prevê-se que ela atravesse parte do Planalto Tibetano. Isso permitiria captar os vastos recursos hídricos da região e desviá-los para as bacias com escassez de água no norte da China.
Essa proposta apresenta desafios formidáveis, uma vez que o plano inicial prevê que a rota atravesse regiões situadas a altitudes entre 3.000 e 4.000 metros e exige a construção de longos túneis através de um terreno acidentado e inóspito.
Alguns desses estudos preveem centenas de quilômetros de túneis e barragens de proporções gigantescas, o que explica por que essa fase permanece sendo objeto de análise e debate.
Uma tentativa de controlar o incontrolável
Para além dos resultados, o "Projeto de Transposição de Água Sul-Norte" simboliza uma filosofia que tem caracterizado a China nas últimas décadas: responder a grandes desafios ambientais por meio de projetos de engenharia de escala monumental.

Com uma resposta que abrange desde barragens gigantescas e programas de reflorestamento em larga escala até sistemas de modificação artificial de precipitação, a China transformou a gestão da terra e da água em uma prioridade estratégica.
Este megaprojeto hídrico é, sem dúvida, o empreendimento mais ambicioso que a China já realizou — ou está realizando atualmente —, pois envolve uma façanha capaz de deslocar rios inteiros por milhares de quilômetros.
A mudança climática acrescenta novas incertezas
As mudanças climáticas serão um fator que complicará os planos, pois o Planalto Tibetano está aquecendo rapidamente, provocando o recuo de geleiras e alterações nos padrões de precipitação, o que resultará em mudanças nas vazões dos rios nas próximas décadas.
El proyecto más ambicioso del mundo se está llevando a cabo en China: el Proyecto de Transferencia de Agua Sur-Norte.
— Ma Wukong 马悟空 (@Ma_WuKong) August 28, 2025
Es comparable a la Gran Muralla en escala y se considera el mayor proyecto de ingeniería civil del planeta.
Este megaproyecto, iniciado en 2002 y con una pic.twitter.com/GyTxMkUcYz
Tudo isso significa que a infraestrutura projetada para enfrentar a escassez de água poderá enfrentar novas limitações no futuro, decorrentes das mudanças climáticas.