Justiça bloqueia projeto de tirolesa no Pão de Açúcar do Rio de Janeiro por risco ambiental; entenda

Com 95% das obras concluídas, o polêmico projeto da tirolesa no Rio de Janeiro foi interrompido por um juiz que citou danos irreparáveis ao monumento reconhecido pela Unesco.

Concessionária do Pão de Açúcar pretende recorrer de decisão que bloqueou tirolesa de 755 metros quase pronta no Rio - Foto: Adobe Stock
Concessionária do Pão de Açúcar pretende recorrer de decisão que bloqueou tirolesa de 755 metros quase pronta no Rio - Foto: Adobe Stock

Uma decisão da Justiça interrompeu recentemente o projeto de construção de uma tirolesa ligando o Pão de Açúcar ao Morro da Urca, no Rio de Janeiro. A sentença atende a pedidos de grupos ambientalistas e moradores que questionam os impactos da obra em um dos locais mais icônicos do país.

O empreendimento já enfrentava resistência há cerca de quatro anos, com críticas focadas na preservação da integridade física da montanha. Agora, a nova determinação judicial altera o cenário para a empresa responsável, que pretendia inaugurar uma atração de alta velocidade voltada ao turismo internacional.

Resistência ambiental e detalhes técnicos do projeto

A tirolesa foi projetada para oferecer uma experiência de descida radical, permitindo que os visitantes atingissem velocidades próximas a 100 km/h. O percurso total de 755 metros seria dividido em quatro linhas operando em paralelo ao trajeto do tradicional bondinho, que funciona na região desde 1912.

Entretanto, opositores ao projeto argumentam que a instalação das plataformas de embarque e desembarque exigiria escavações profundas na rocha do Pão de Açúcar. Para os ativistas, essa intervenção causaria danos irreparáveis a um sítio reconhecido pela Unesco como Patrimônio da Humanidade, desfigurando a paisagem natural.

A campanha contra a construção foi liderada por moradores e especialistas preocupados com a preservação histórica e geológica do monumento. Gricel Osorio Hor-Meyll, uma das principais vozes do movimento, descreveu a decisão judicial como "uma vitória enorme" para a conservação ambiental do Rio de Janeiro.

Por sua vez, a concessionária que administra o local afirma que as obras foram planejadas para causar o menor impacto possível na estrutura natural. A empresa alega que as perfurações seriam limitadas a áreas que já possuíam construções antigas, evitando novas degradações na face rochosa da montanha.

Implicações financeiras e o impasse jurídico

Além da paralisação dos trabalhos, o juiz ordenou que o IPHAN e a empresa desenvolvedora paguem uma indenização de 30 milhões de reais. Esse montante visa compensar os danos causados, reforçando a importância cultural e o valor inestimável do monumento para a sociedade brasileira e mundial.

O caso se arrasta nos tribunais há anos, com diversas interrupções e retomadas conforme as partes apresentavam novos recursos e laudos técnicos. No mês de janeiro, a construção chegou a ser autorizada novamente após uma decisão do tribunal superior que avaliou os riscos de manter a obra inacabada.

Naquela ocasião, o entendimento jurídico era de que suspender o projeto em estágio tão avançado poderia resultar em prejuízos maiores do que sua conclusão. A estrutura da tirolesa já estava 95% finalizada quando a nova sentença reverteu a permissão e determinou o bloqueio atual dos trabalhos.

Apesar da decisão recente, a disputa legal deve continuar, pois a empresa responsável já manifestou a intenção de recorrer nos tribunais superiores. O cenário atual mantém a atração turística em suspenso, enquanto o debate sobre os limites das intervenções em patrimônios mundiais ganha novos capítulos.

Referências da notícia

Brazil judge blocks Sugarloaf Mountain zipline. 1 de abril, 2026. Vanessa Buschschlüter.

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