Julho foi o mês mais quente já registrado na Terra e 2026 pode ficar entre os 5 anos mais quentes da história

Nosso planeta acaba de receber a confirmação de que este ano caminha para ser um dos cinco mais quentes já registrados, após a divulgação do relatório climático global de julho pelos Centros Nacionais de Informações Ambientais.

Os desvios de temperatura média global em julho de 2026.

Julho de 2026 se igualou ao julho de 2024 como o mais quente já registrado, com uma temperatura média global terrestre e oceânica ligeiramente superior a 2 graus Celsius em relação à média do século XX.

Julho de 2023 foi o único outro mês de julho, desde o início dos registros em 1850, a ultrapassar uma anomalia de temperatura de 1,8 grau Celsius.

Desvios de temperatura acumulados até o momento em 2026, em comparação com os 10 anos mais quentes já registrados.

"Do ponto de vista climatológico, julho é o mês mais quente do ano" [no Hemisfério Norte], destaca o relatório climático global dos Centros Nacionais de Informações Ambientais (NCEI). "Dado que este foi o mês de julho mais quente já registrado, é altamente provável que 2026 e 2024 sejam os anos mais quentes registrados globalmente desde 1850". A notícia chega poucos dias depois de o NCEI revelar que julho foi o mês mais quente já registrado nos Estados Unidos.

O El Niño deste ano pode dar um impulso

As temperaturas recordes registradas em julho indicam que agora há uma probabilidade superior a 99,9% de que 2026 figure entre os cinco anos mais quentes já registrados globalmente. É muito provável que este ano termine como o terceiro ou quarto mais quente da história.

"No acumulado do ano, a temperatura global da superfície terrestre entre janeiro e julho foi a terceira mais alta já registrada", aponta o relatório. "Se o El Niño continuar se intensificando, poderá elevar ainda mais as temperaturas globais, potencialmente levando 2026 a uma posição ainda mais alta no ranking final".

O calor em julho foi generalizado. Segundo o NCEI, "regionalmente, a maioria dos continentes e regiões registrou um dos dez meses de julho mais quentes já documentados". A América do Norte, a África e a Ásia registraram o mês de julho mais quente de suas respectivas séries históricas, seguidas pelo Ártico (terceiro mais quente), pela América do Sul (sexto mais quente), pela Europa (empatada em sétimo lugar) e pela Oceania (oitavo mais quente). A Antártida foi a única região a apresentar temperaturas abaixo da média em julho; foi o mês de julho mais frio na região desde 2016.

Julho marcado por fenômenos extremos e redução global do gelo marinho

O relatório climático global do NCEI referente a julho listou diversos eventos meteorológicos e climáticos notáveis ocorridos ao longo do mês.

Entre eles, destacam-se as chuvas extremas de monção em Bangladesh, que provocaram inundações repentinas e deslizamentos de terra, resultando na morte de pelo menos 54 pessoas e forçando cerca de 200.000 a deixarem suas casas. O furacão Genevieve tornou-se a primeira tempestade de Categoria 5 do ano e a primeira dessa intensidade no Pacífico Oriental em dois anos.

O relatório climático de julho destacou diversos "eventos meteorológicos e climáticos notáveis".

O mês de julho, com suas temperaturas elevadas, afetou o gelo marinho. A extensão do gelo marinho no Ártico caiu para o sexto nível mais baixo já registrado para o mês de julho, enquanto a extensão do gelo marinho na Antártida recuou para o quinto nível mais baixo para esse mesmo mês.

Segundo o relatório de julho, "a extensão global do gelo marinho foi a quarta menor já registrada para o mês de julho em um histórico de 48 anos, com uma média de 8,77 milhões de milhas quadradas — 810 mil milhas quadradas abaixo da média do período de 1991 a 2020".