Do campo ao espaço: Brasil lidera projeto científico para fazer vegetais crescerem na Lua e em Marte

Pesquisadores brasileiros integram projeto internacional para estudar o cultivo de alimentos frescos fora da Terra, e uma espécie de batata-doce é o principal foco do estudo.

Criada e coordenada pela Embrapa, a Rede Space Farming Brazil integra, atualmente, pesquisadores de cerca de 24 instituições brasileiras e internacionais. Crédito: Juliana Sussai.
Criada e coordenada pela Embrapa, a Rede Space Farming Brazil integra, atualmente, pesquisadores de cerca de 24 instituições brasileiras e internacionais. Crédito: Juliana Sussai.

A Rede Space Farming Brazil é uma iniciativa de pesquisa liderada pela Embrapa em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB) que surgiu em 2022. O objetivo principal é desenvolver tecnologias e sistemas para o cultivo de alimentos frescos fora da Terra, apoiando a participação do nosso país nos Acordos Artemis da agência americana NASA.

A Rede surgiu para estudar a produção de alimentos em condições espaciais desafiadoras como alta radiação e microgravidade, para que futuramente seja possível criar sistemas autossuficientes de agricultura para missões de longa duração na Lua e em Marte.

O foco inicial foi priorizar o cultivo de variedades de batata-doce e grão-de-bico, escolhidas por sua alta adaptabilidade a condições extremas e valor nutricional. Acompanhe abaixo a evolução do projeto e todas as informações sobre estas variedades.

O que foi feito até agora

Um dos principais desafios para o grupo é a construção de um invólucro que consiga proteger as plantas da radiação ionizante cósmica. Essas condições extremas espaciais já foram simuladas em laboratórios e testes já foram feitos.

No ano passado, a Rede enviou sementes de grão-de-bico e plantas de batata-doce roxa em um foguete da Blue Origin à fronteira do espaço na missão do voo suborbital a bordo do New Shepard-31. Eram variantes da coleção da Embrapa já aprimoradas para serem mais produtivas e nutritivas.

Os pesquisadores ainda aguardam o retorno desses alimentos ao Brasil para estudos comparativos das plantas que participaram da missão e aquelas que permaneceram na Terra.

“Caso demonstrem certo grau de tolerância ao crescimento em ambientes com microgravidade e radiação, essas plantas poderão ser candidatas promissoras para o cultivo no espaço”, comentou em entrevista Alessandra Fávero, pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste que coordena a Rede Space Farming Brazil.

Alessandra Fávero, pesquisadora que coordena a Rede Space Farming Brazil. Crédito: Gisele Rosso/Embrapa.
Alessandra Fávero, pesquisadora que coordena a Rede Space Farming Brazil. Crédito: Gisele Rosso/Embrapa.

E por que eles escolheram essas duas variedades? Porque nenhuma das duas plantas é exigente em termos de cultivo. Elas precisam de menos água e calor do que outras culturas.

O grão-de-bico é uma boa fonte de proteína e versátil para o consumo, enquanto a variedade roxa da batata-doce (a batata-doce BRS Anembé), desenvolvida pela Embrapa, é rica em antocianinas, um poderoso antioxidante. Pesquisas anteriores já mostraram que a antocianina nas sementes as protegem contra a radiação espacial.

A cultivar de batata-doce BRS Anembé desenvolvida pela Embrapa em parceria com outras instituições. Crédito: Carla Timm.
A cultivar de batata-doce BRS Anembé desenvolvida pela Embrapa em parceria com outras instituições. Crédito: Carla Timm.

Mas, provavelmente, o futuro dos alimentos espaciais envolverá o desenvolvimento de variedades mais robustas de batata-doce e grão-de-bico, com propriedades para ciclos de crescimento mais curtos, maiores rendimentos e maior conteúdo nutricional.

A primeira fase do projeto são essas simulações na Terra. A segunda fase prevê testes em órbita terrestre e, a terceira fase, experimentos em espaço profundo, como na Lua.

Referência da notícia

Audi, A. (2026). Programa Artemis: Brasil cria “superplantas” que servirão de alimento no espaço e na Terra.
Koren, M. (2026). The Future of Space Travel Could Come Down to This Potato.