Cientistas encontram lagos abaixo de gelo na Antártida

A missão CryoSat da ESA trouxe para todos uma grande novidade, revelando como os lagos debaixo da geleria Thwaites drenaram no mar de Amundsen. Provavelmente o maior caudal nunca antes registrado na região da Antártida.

Esta nova informação está ajudando aos cientistas entenderem melhor o que está acontecendo baixo a superficie do gelo e que está afetando a velocidade que as geleiras fluem até o ocêano.

Thwaits e seu vizinho geleiro Pine Island são geleiras que retrocedem mais rápidaente no escudo do gelo da Antártida Ocidental.

Embora esta área tenha uns 2 Km de espessura em alguns lugares, grande parte do solo está bem por debaixo do nível do mar. Isso faz com que seja particularmente vulnerável a mudanças, especialmente onde as águas ocêanicas mais quentes encontram-se com a parte inferior do final flutuante da geleira.

Compreender os movimentos dessas geleiras é realmente crítico para prever como a camada de gelo poderá se comportar no futuro e como poderá afectar em relação ao nível do mar.

Um artigo publicado no The Cryosphere explica como as medições de CryoSat tenham sido processadas de uma forma nova e releva que, em 2013, quatro lagos interconectados baixo Thwaites drenaram o ocêano.


Velocidade das geleiras na Antártida Ocidental.

Os lagos foram encontrados abaixo das geleiras em muitas partes da Antártida, e além disso, associam normalmente com as gelerias de fluxo rápido. No obstante, pensam que este esvaziamento ocorre somente a cada 20-80 anos.

A água que está debaixo da camada de gelo, tem um papel muito importante na rapidez que as geleiras fluem até o mar, devido que a camada de água de fusão, reduz a fricção entre o gelo e a mãe rocha.

Além disso, quando os canais formam-se abaixo do gelo, lubrificam o caminho da geleira.

Benjamin Smith, da Universidade de Washington e autor do principal artigo, disse “Esta é a primeira vez que conseguimos monitorar tanto as mudanças de elevação como a velocidade do gelo neste tipo de detalhes sobre uma área tão grande.

“Sem um satélite como CryoSat, provavelmente teriamos perdido a drenagem do lago e haveria que adivinhar como a drenagem do lago poderia ter afetado a velocidade do gelo.

Juntos, nos dizem como a água que se move no caminho das geleiras, afeta a velocidade do gelo, e quais processos necessitamos entender para nos equipar melhor e prevêr o futuro do Thwaites”.

Noel Gourmelen, da Universidade de Edimburgo explica: “As repetidas observações de CryoSat sobre Thwaites revelaram que a superficie do gelo estava cedendo vários metros, enquanto a água drenava os quatro lagos baixo o gelo. Os lagos totalizaram uma superficie de aproximadamente uns 700 kilômetros quadrados.

“Em promédio, Thwaites leva aproximadamente 135 kilômetros cúbicos de gelo ao mar todo ano, porém a drenagem destes lagos liberaram 3,5 kilômetros cúbicos adicionais de água doce.

“Além disso, a velocidade da geleira aumentou ao redor de 10% e teria contribuido a uma descarga de 150 kilômetros cúbicos por ano, entre 2013 e 2014.”
Estima-se que a drenagem atingiu um máximo de 240 metros cúbicos por segundo, possívelmente o maior caudal de água de fusão que se tenha informação dos lagos subglaciais desta região.
Essa taxa de pico é aproximadamente quatro vezes mais rápida que o rio Tamisa em Inglaterra descarrega no Mar do Norte por ano.

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