O que é a Oscilação Antártica?

O sistema climático é composto por inúmeras oscilações que interagem entre si de maneira caótica para produzirem o tempo e o clima que sentimos. A Oscilação Antártica por exemplo, é de extrema importância para a circulação extratropical do Hemisfério Sul.

Bruno César Capucin Bruno César Capucin 17 Fev. 2019 - 07:32 UTC
Antártica e gelo marinho adjacente. Fonte: NASA

A Oscilação Antártica (ou Modo Anular Sul) é um importante modo de variabilidade climática do Hemisfério Sul. Esse fenômeno domina a circulação extratropical numa escala temporal que pode ser de semanas a meses, e está relacionado com mudanças na posição da corrente de jato, sistemas frontais, ciclones e anticiclones (sistemas transientes).

O índice que mede a oscilação é calculado pela diferença de pressão zonal (oeste-leste) entre as latitudes de 40°S e 65°S. As fases do índice (negativa ou positiva) informa aos meteorologistas o padrão de circulação extratropical presente no Hemisfério Sul.

Quando o índice assume valores positivos, os ventos ocidentais ao longo da troposfera encontram-se mais fortes do que a média em cerca de 55°S, diminuindo as trocas de calor com o trópico e aumentando o isolamento do ar Antártico. Portanto, o resfriamento do ar é potencializado no polo sul e mares adjacentes, fator que agrava a diferença de temperatura entre as latitudes médias e altas. Nestas condições, o fluxo do jato é mais zonal (de oeste para leste) e intensificado nas proximidades da Antártica. Isso mantém o cinturão de baixas pressões associados as frentes frias confinados nas latitudes polares. Logo, não influenciam o tempo no Brasil.

Para um índice negativo, o padrão se inverte, os ventos ocidentais se enfraquecem e a corrente de jato se mostra numa configuração meridional (norte-sul), sendo que suas cristas e vales determinam o deslocamento das massas de ar sobre vastas áreas do planeta. Enquanto as cristas direcionam o ar quente do norte para o sul, os vales transportam o ar frio do sul para o norte. O deslocamento das massas de ar é responsável pela formação das frentes meteorológicas.

Em resumo, podemos relacionar o índice positivo com a redução da passagem dos transientes pelo sudeste da América do Sul (regiões que compreendem parte da Argentina, Uruguai e Sul do Brasil) e Atlântico Sudoeste. Já um índice negativo, significa o contrário, os transientes conseguem migrar para latitudes menores, e então, alteram as condições do tempo no Brasil.

Durante o inverno austral, a Oscilação Antártica é modulada pelo vórtice polar estratosférico, uma extensa circulação ciclônica centrada no polo sul que pode atingir velocidades na ordem de 400 km/h na baixa estratosfera. A força do vórtice e suas configurações afetam tanto a posição como a intensidade dos ventos ocidentais e da corrente de jato. Já para o verão (ausência do vórtice polar), é provável que as fases da oscilação sejam forçadas a partir de variabilidades intrínsecas a própria troposfera.

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