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Por dentro da interação oceano-atmosfera

Como acontecem as interações entre o ar e a superfície do mar? Entenda mais sobre esses importantes processos e saiba como podem influenciar o tempo e o clima.

A interação entre o oceano e a atmosfera ocorre principalmente através de fluxos calor, momentum (movimento) e umidade entre os dois.

É comum vermos a atmosfera e oceano como dois sistemas distintos - o primeiro formado por água e vapor d'água e o outro por água e sal. Apesar disso, esses dois fluidos interagem das formas mais diversas e, na maioria das vezes, é difícil o entendimento de um sem o outro. A interação entre o oceano e a atmosfera ocorre através de fluxos de troca entre os dois, sendo os principais: calor, umidade e momentum (movimento).

Os fluxos entre o ar e o mar

O fluxo de calor é controlado principalmente pela diferença de temperatura entre os dois meios. Se a temperatura do ar está menor que a da superfície do mar, o oceano tende a ceder energia para a atmosfera, e vice-versa. Os fluxos de calor são mais intensos e rápidos na atmosfera do que no oceano devido a maior capacidade térmica da água, que demora mais para aquecer/resfriar.

O fluxo de momentum ocorre através da transferência de movimento, majoritariamente da atmosfera para os oceanos. É graças a essas transferências que temos a circulação oceânica forçada pelo vento, nos primeiros 100 m de profundidade. Já o fluxo de umidade se dá através da evaporação da água do mar e chuva sobre o oceano.

Um exemplo clássico do efeito desses fluxos em um sistema atmosférico é o desenvolvimento de um furacão. Este fenômeno se desenvolve exclusivamente sobre o oceano, em regiões de elevada temperatura da superfície do mar. É o oceano que fornece umidade e calor para que o furacão se forme e tenha ventos tão intensos.

O efeito da interação oceano-atmosfera no clima

Embora esses fluxos sejam restritos à interface ar-mar, seus impactos podem ser muito mais abrangentes, interferindo no clima global. Isso ocorre porque, como dito anteriormente, o oceano demora mais para responder aos estímulos atmosféricos por sua maior capacidade térmica. Além disso, a distribuição de temperatura nos oceanos é modificada pelas correntes oceânicas e com isso, o calor recebido pelo oceano em uma região, pode ser devolvido à atmosfera em outra localidade.

O fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS) é um bom exemplo de como a interação ar-mar influencia o sistema climático global. Na situação neutra os ventos de leste no Pacífico Equatorial afastam a água da costa do Peru permitindo que águas profundas mais frias subam à superfície (ressurgência). Quando ocorre El Niño, os ventos de leste são enfraquecidos e a ressurgência é reduzida ou interrompida, gerando uma anomalia quente na região. O ENOS tem influência global, podendo afetar, inclusive, o regime de chuvas da América do Sul.

A imagem mostra as anomalias da temperatura de superfície do mar no mês de Janeiro 2016, com El-Niño. Créditos: Dan Pisut - NOAA NNVL.

No caso do El Niño, os cientistas ainda não sabem ao certo se é o enfraquecimento dos ventos que gera a anomalia quente ou se a própria distribuição da temperatura de superfície do mar que causa o enfraquecimento dos ventos. Isto reforça a ideia de que é necessária uma visão mais abrangente do sistema climático e seus componentes, onde o entendimento das interações oceano-atmosfera são de suma importância.