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As diferenças entre os ciclones

É muito comum ficarmos confusos quando ouvimos nos noticiários os termos "furacão", "ciclone tropical", e "sistema de baixa pressão". Mas afinal o que é cada um deles e por que são tão importantes?

Carolina Barnez Carolina Barnez 28 Jun. 2018 - 12:14 UTC
Os ciclones influenciam diretamente as atividades humanas, através de ventos intensos, agitação marítima e chuva.

Ciclone é um termo genérico dado a sistemas atmosféricos de grande escala com ventos que giram no sentido ciclônico, isto é, horário no Hemisfério Sul e anti-horário no Hemisfério Norte. A rotação do vento promove ascensão de ar e consequente diminuição da pressão, por isso esses sistemas são caracterizados por um centro de baixa pressão. Quando o ar quente e úmido próximo a superfície sobe para médios níveis da atmosfera há geração de nuvens de chuva. Os ciclones influenciam diretamente as atividades humanas, através de ventos intensos, agitação marítima e chuva.

Os ciclones podem ser classificado de acordo com suas características de formação. Um ciclone terá a atuação de forçantes atmosféricas diferentes dependendo do seu ambiente de origem. Como o clima na Terra apresenta uma variação praticamente latitudinal, podemos separá-los de forma simplificada entre tropical, subtropical e extratropical de acordo com o intervalo de de latitude em que se originam.

Tipos de Ciclones

Ciclones tropicais se desenvolvem em regiões caracterizadas por elevadas temperaturas da superfície do mar. Estes sistemas se formam exclusivamente sobre os oceanos, onde os fluxos oceano-atmosfera fornecem grande quantidade de calor e umidade para o crescimento e intensificação do ciclone. Os ciclones tropicais são eventos intensos conhecidos pelos danos causados pelos seus ventos fortes que geram tormentas e inundações. Eles podem receber outros nomes dependendo da região/país que atuam, sendo conhecidos também como tufõese furacões.

Três ciclones tropicais no leste do Oceano Pacífico (22 de Agosto de 2014). Créditos: NASA/NOAA GOES Project.

Ciclones extratropicais são os mais comuns aqui no Brasil, normalmente gerando chuvas e queda na temperatura devido a sua frente fria associada. Estes sistemas são gerados por pertubações nos altos e médios níveis da atmosfera (~ 5 km de altitude) em locais com intenso gradiente de temperatura em superfície. Através de sua circulação, ele tende a trazer o ar mais frio em direção ao equador e o ar quente em direção aos polos, formando uma frente fria e uma frente quente. Os ciclones extratropicais são maiores que os ciclones tropicais, com uma extensão de aproximadamente 2000 km de diâmetro.

Por fim, os ciclones subtropicais são sistemas híbridos, com características tropicais e extratropicais. Neste sistema, os fluxos de umidade e calor do oceano são importantes, porém existe também a atuação de perturbações em altos níveis. Ciclones subtropicais são menos frequentes que os extratropicais, geram muita chuva e ocorrem preferencialmente na costa Sudeste do Brasil.

Os ciclones estão associados a muita nebulosidade e chuva. As setas azuis (vermelhas) representam o movimento do ar frio (quente). A posição aproximada do centro dos ciclones está indicada por "B". Imagens de satélite do DSA/CPTEC/INPE.

Existem furacões no Brasil?

As condições atmosféricas na costa Brasileira não são propícias para o desenvolvimento de ciclones tropicais. Porém, em 2004 um ciclone subtropical que se desenvolveu na costa da Bahia, adquiriu características de ciclone tropical por algumas horas durante sua evolução. O ciclone Catarina foi alvo de muitas controvérsias na comunidade científica, mas é considerado por muitos especialistas como o primeiro Furacão do Atlântico Sul.

O ciclone Catarina foi um marco na meteorologia brasileira e chamou a atenção para o estudo mais aprofundado dos ciclones subtropicais, já eles que podem sofrer transição para tropicais. Também colocou em pauta os possíveis impactos das mudanças climáticas na formação de ciclones do Atlântico Sul. Os mecanismos responsáveis pelo desenvolvimento dos ciclones são muito vastos e complexo e existe um esforço da comunidade científica em entendê-los para melhor prevê-los.

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