A pesquisa de Mudanças Climáticas no Brasil

Com mais de uma década de existência o Programa de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais da FAPESP tráz novos desafios para os pesquisadores. Dentro das prioridades listadas para os próximos anos estão a divulgação e a alfabetização científica da sociedade.

Carolina Barnez Carolina Barnez 28 Fev. 2019 - 04:49 UTC
Santos é uma das principais cidades do litoral paulista a sofrer como o aumento do nível do mar.

O Programa de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) já tem mais de uma década e representa um salto importante na produção de conhecimento sobre esse tema tão importante no Brasil. Consórcios, Organizações e Instituições ao redor do mundo se empenham para entender melhor os impactos das mudanças climáticas em seus locais de interesses, e o Brasil não pode ficar para trás. Precisamos continuar conduzindo estudos que considerem as peculiaridades de nossos biomas, clima e realidade sócio-ambientais.

Apesar do avanço da ciência climática nos últimos anos, parte da sociedade ainda põe em dúvida o conhecimento científico acumulado sobre o assunto, justo no momento em que existe mais urgência para que medidas para a redução das mudanças climáticas sejam tomadas. Segundo Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, o tema Mudanças Climáticas “não é questão de opinião, é uma questão comprovada por pesquisa, medição, teste e verificação há muitos anos por cientistas em todo o mundo. O que eu percebo é que nós brasileiros, mas também cientistas americanos, franceses e ingleses, não estamos conquistando os corações e mentes” [Agência FAPESP]. Entre 2008 e 2018, a FAPESP investiu R$ 276 milhões em pesquisa sobre o tema mudanças climáticas globais e R$ 151 milhões em estudos que fazem parte do programa. Um terço desse investimento é por meio de colaboração internacional.

A região da Amazônia é um dos focos dos estudos climáticos no Brasil.

Na semana passada, centenas de pesquisadores se reuniram na FAPESP para fazer uma reflexão sobre a primeira década do programa, revisão e planejamento das metas para os próximos 10 anos. Entre os resultados de maior destaque estão as previsões de aumento do nível do mar no litoral paulista e a caracterização dos “rios voadores” da Amazônia, que levam umidade da floresta para outras regiões do Brasil. As prioridades para os próximos anos envolvem aprofundar o conhecimento científico sobre diversos fenômenos naturais ligados às mudanças climáticas. No entanto, um dos principais tópicos listado como prioridade foi a necessidade de uma melhor comunicação sobre os riscos e impactos das mudanças climáticas para a população e o combate ao analfabetismo científico – através da divulgação científica e ensino do método científico, principalmente em escolas.

O retorno à sociedade de tal investimento passa pela transmissão de informações e conscientização da população de um ponto de vista mais prático. Usar a diminuição da população de ursos polares como alerta de mudanças climáticas no Brasil não parece ser adequado e acaba gerando um distanciamento entre a população e o problema. Para Paulo Saldiva, diretor do Instituto de Estudos Avançados (IEA) e professor da Faculdade de Medicina da USP seria mais eficiente informar de forma clara os problemas de saúde que estão surgindo e e/ou sendo agravados pelas mudanças climáticas, por exemplo [entrevista ao Jornal da USP]. É necessário que os pesquisadores estejam preparados para adaptar as informações e motivações para a realidade do país e transformem os resultados de suas pesquisam em uma linguagem que faça sentido para a população.

Publicidade